segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Tu não sabes

E como poderia?
Se os infinitos caminhos
Que tua mente projetou
Se emaranham num fio de lã espessa
Que engessa
O único caminho que deverias correr?

Como saber
Que tua sina desalinha em vã corrente
O que desmente e pronuncia
Bem óbvio
Em gestos nefastos de ódio?

Ah, mas o ódio...
Diz daquele amor não admitido
Que fica retido
Num coração petrificado pelo passado

Tu não sabes como saber
Aquilo que teus olhos bem vê
O bem querer que tanto te admira
E responde, em ira, o carinho que não sabes dar a ti

O saber vem pelo merecer
Mas tem que querer
E de outras eras se abster
Para abraçar o novo infinito
Que a ti te apresentas
Como amor sem reservas

São tantas eras...
Que carregas em vão
Pesando teu coração
Rogo a Deus do céu
Que te ensines o perdão
E o grande segredo da felicidade...




...O abrir mão.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A precipitação,o precipício, o pressuposto e o princípio


Aquele que corre na frente, disposto a resolver os problemas por sua própria força e vontade, acaba correndo para seu próprio infortúnio. A precipitação na resolução do sofrimento alimenta o sofrimento e aumenta o precipício da alma. Acertar o timming tem a ver com paciência e deixar que a força trabalhe, pois são as coisas que são do Alto que resolvem as coisas de que são de baixo. O vento que sopra lá chega aqui, e na calmaria do olho do furação, os malfazejos batem em retirada. É o princípio do fim para aqueles que se servem de pressuposto em suas indagações. A confiança no poder superior não admite meia entrega, meia verdade ou meia vontade. A Fé é bem mais que um pensamento e, nesse mistério, que é o princípio da sabedoria, Aquele que vem primeiro subjuga principados e potestades, com um tiro e mira certeiros, predomina em tudo aquilo que toca. Glória a Deus nas Alturas, glórias àquele quem vem primeiro! Com o Mestre no comando, o caminho é seguro, limpo e certeiro. A dúvida é o medo e a cilada do inimigo, que levam ao precipício aqueles que achavam alguma coisa. Achar que se sabe é sutilmente diferente do Saber, é a armadilha e a isca, que em sua função, nos ensinam a merecer.
Vá sempre em minha frente, Oh Mestre! Pois teus caminhos são mais altos que os meus! E o teu Saber, o verdadeiro conhecimento!

Viva ao Grande Rei! Viva o Sumo Sacerdote! Viva Jesus Cristo Redentor! Viva o caminho do Amor!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A semente do credo que brota nas profundezas da floresta

Quando estiquei meus galhos ao encontro do Sol
E pela copa subi devagar
Desabrochando em verdes ares
O que da flora pude contar

Era meu velho índio amigo
Quer seja ele ou eu
Ou o que o Espírito me deu
Na natureza não adianta buscar sentido
Nem tentar entender agora o que digo
Pois vem da floresta o caminho que sigo

E por dentre as matas sagradas
Onde os brancos reluzem espadas
Orgulhosos do sangue que escorrem
Brota-me o decreto de um credo

Que agora venho dizer e afirmar
Onde quer que exista Terra, água ou ar
O fogo sagrado vem animar
Tudo que existe e sempre existiu
É expressão natural do Amar
Seja árvore, índio, branco ou estelar

Na floresta se encerra o mistério do Império
Que a todos convoca
Me reúno com o Uno
No meio de uma Oca

Sou branco, índio, árvore e o mar
Sou a Terra, o Sol, a Lua e as Estrelas
Sou o que vejo e o que percebo
E ainda aquilo que não concebo
A Eternidade num momento
E nos limites do Tempo, sem medo

Expandindo pra dentro e pra fora
Respirando o ar que revigora
Sou o orvalho que a noite chora
E também sou o alvorecer de uma nova Aurora!

No meio do mato
No fundo do mar
Tudo ao Pai retorna o Ato
Pois Tudo a Todos Ele dá!
A quem se destina a seguir seus caminhos
E a todos seres resolve por amar.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Do Rei Tiago

Em vão gloria-se o vangloriador
Como quem se olha no espelho, se admira e logo esquece sua fisionomia
Assim é o que pratica sem obras sua fé
É um corpo sem espírito
O que condena o grito
Com a paixão de um blasfemador
Aprender a humildade do silêncio é a firmeza
E a certeza
De que suas obras refletem a pureza
Do coração que Ama
A chama arde sem queimar
A sarça queima sem arder
O mistério do ser sem parecer
Está contido em inexprimível gemido
Gerado no interior do alvorecer
A língua afiada é a lâmina da maldade
E corta, sem piedade, na ida e na vinda,
No objeto e no sujeito,
O que de alvo fez sua vaidade
Insuportável Verdade
Para toda e qualquer má obra praticada
Que no fogo será purificada
E perderá o valor que nunca possuiu
Pois o Ouro Celeste é pra quem do Amor não desistiu
E bravamente lutou
Contra Si mesmo
Para dar ao irmão, sempre
O Seu devido Valor.


Tiago, caps 2, 3, 4 e 5.