terça-feira, 6 de junho de 2017

Do quadrado à esfera

Catedrático humano que sou
Já não cabe-me o quadrado
Que outrora fora minha catedral

Curvei-me às elipses do mundo
De esfera reformei minha esclera
Ao ver nova vida circulando uma nova era

É que o formato já não comporta o ato
De ser quem realmente se é
Ao entregar-se puramente em fé

O paradoxo tóxico resolvo na mente
Reconcilio os irmãos opostos-aparentes
No centro da hipófise esta tese

E não adianta, por mais que reze
Se minhas mãos não manifesta esta prece
É no trabalho que o Divino aparece

A estrada é longa, por onde percorrem os impulsos elétricos
Do mundo das hipóteses e das ideias
Ao das obras praticadas às plateias!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Divagação num escritório de um maio meio lá e cá

Olhei para o canto e percebi uma fresta de luz. Cintilante, sublime pulsante, vangloriando-se de ser desapercebida. Era no canto, que desviamos o olhar, que se encontrava a pequena luz. Vestida da noite, sua presença constante - escondida - não obstante, limitava-se a projetar a si mesma.
Eis o que olhei: era Ela e era Eu. A luz que era um buraco, preenchido com o nada, expandia sua luz de matéria metafísica e constituía tudo o que ela não era. Olhar para dentro é olhar verdadeiramente para fora, a ilusão dos sentidos ofusca a verdade tendo como miragem a imagem que fulmina o olhar. Para encará-la de verdade é preciso coragem. Sob o risco de virar cinzas pelo próprio fogo, o dragão teimoso, agora é manso e medroso e foge ao primeiro sinal do verdadeiro perigo. Ele persiste, em qualquer canto escuro que possa servir de covil. A luz, antes vestida da Noite, encontra-se despida em Dia, e aos poucos sua Aurora clareia toda rachadura cavernosa que poderia servir de abrigo aos amistosos da escuridão.
Quando Dragão não mais tiver sua pretensiosa paz ao se esconder, poderá despertar e parar de se arrastar, elevando-se por fim, ao encontro da Luz que se escondia em si mesma.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Relato onírico I

Fogo que queima sem arder, gera vida ao morrer, voa quando cria raízes e é o réu quando se pretende juiz.
A impermanência de sua subsistência é a essência da transmutação.
Em 70 dias compreendereis o segredo dessa missão. Prepare dois sacos vazios - tu e teu irmão - pois serão preenchidos com a sabedoria do fogo.
Purifica teu coração para receber as Bênçãos da harmonia, amor, verdade e justiça.

Acordo de uma revelação. Estou dentro de outra camada que se destrincha recordando o que abara de se passar. O elemental do fogo deixou sua marca e impressão digital, queimou a sarça sem consumí-la. Sagrado. A serpente aos poucos aprende a criar asas. O treinamento é longo e doloroso, revisita um passado desgostoso e carrega em si o sabor de sua própria cauda. Permita-se o teu silêncio e acalme vossa ansiedade - com o peso da idade, vem a liberdade da compreensão.
Uma mente mais coesa e harmônica é um parque de diversões da essência de uma criança. Uma mente indisciplinada se assemelha a um show de horrores: não é coisa para crianças.
Encontrareis a doçura e o mel das abelhas quando souberes recuperar o néctar de sua flor de ouro, roubado pelas más obras de suas mãos metafísicas.
Revisitas o que o mal causou. Confiai no fogo, cauterizador.

Afinal, tudo são cinzas.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Procura-se emprego

Procura-se emprego
E o apego, esse que deixou
Foi embora e não voltou
Paga-se o preço
Com juros
Cobrado ás juras
De um amor que findou

O juramento sacralizado ás figas
Mascarou quem golpeou
Mas também colocou em evidência
O colóquio da cloaca que excrementa a mistura de um intestino sub-desenvolvido
Mamífero-reptiliano
Suga o sangue dos que procuram emprego - subnutrido

Há de ser ouvido?
O choro do índio sem mão
Ou a fome do menino sem pão
Enquanto os santos rezam
E prezam o que vão levar pro caixão?
As preces-spam que lotam a caixa de entrada dos deuses?

Deleuzes
Pós-modernos
Moldando as ideias dos que escrevem pseudo-poesias
É tanta patifaria
Que não acredito nas palavras que vomito
É a egrégora do pito
Que amortece o sentido
Do coração que luta em vão
A luta dos novos deuses encarnados
Enterrados em sepulcros caiados

Como vive quem nasce morto?
E como morre quem nunca foi vivo?
É na sombra do mito
Que se encontra redenção
Fora do tempo
E do espaço
Fica aqui minha oração
Meu Pai e Minha Mãe

Perdão.