quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Do Rei Tiago

Em vão gloria-se o vangloriador
Como quem se olha no espelho, se admira e logo esquece sua fisionomia
Assim é o que pratica sem obras sua fé
É um corpo sem espírito
O que condena o grito
Com a paixão de um blasfemador
Aprender a humildade do silêncio é a firmeza
E a certeza
De que suas obras refletem a pureza
Do coração que Ama
A chama arde sem queimar
A sarça queima sem arder
O mistério do ser sem parecer
Está contido em inexprimível gemido
Gerado no interior do alvorecer
A língua afiada é a lâmina da maldade
E corta, sem piedade, na ida e na vinda,
No objeto e no sujeito,
O que de alvo fez sua vaidade
Insuportável Verdade
Para toda e qualquer má obra praticada
Que no fogo será purificada
E perderá o valor que nunca possuiu
Pois o Ouro Celeste é pra quem do Amor não desistiu
E bravamente lutou
Contra Si mesmo
Para dar ao irmão, sempre
O Seu devido Valor.


Tiago, caps 2, 3, 4 e 5.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Breve parto que aborto

Piso no calo e não me calo
O veneno que destilo é a palavra que falo
E de falos estou farto
Quando o dragão na mente eu parto
Com dores e sangue de quem nasce torto
É o peso morto que carrego no dorso
E em vão me apego com esforço
A hora de abrir mão já chegou
Chegou, passou e cá estou
Não que me agarre ao que está morto
Mas o mistério dos ciclos revisita as imagens
E dessas miragens relembra a casca da ferida aberta
Que é pra me manter alerta
Que se cutuco com vara curta
E exponho a cicatriz
É minha paz que ela furta
E a calma me escapa por um triz
Difícil é aprender o orgulhoso
Que tudo já sabe pomposo
Só não sabe a humildade do vazio
Que preenche por não achar que se é
E apenas sabe sem achar
Tendo a plena certeza da fé
Esvazio esse mal que ressuscito
Breve, em palavras escrito
Antes que cresça e me atormente
Sacrifico este bicho torto em minha mente.

terça-feira, 18 de julho de 2017

O pulso rubro de um coração e a melodia que se origina no interior


"O que eu vim para dizer, você deve escutar: Ouça seu coração, nunca deixe calar!"

A capacidade de botar as coisas em seu respectivo lugar é uma virtude. Bem provavelmente, uma virtude de humildade.

Um dos grandes erros cometidos pelo orgulho humano é trocar os lugares e confundir seus próprios aspectos.
Essa confusão opera em diversas esferas, até que o homem aprenda, se humilhe, e reconheça sua prepotência de achar que sabe de alguma coisa, tanto de si quanto do outro. Essas palavras vêm justamente como reflexão em cima de uma batalha realizada contra si mesmo no campo das emoções.
Costuma-se e nisso se cria uma zona de conforto, colocar o coração em um lugar que pertence a mente, e vice-versa. Ora, o coração não pensa. Tudo que é pensamento é obra da mente e ela, quando troca de lugar com o coração, confunde as diversas camadas que compõe o ser. O coração não pensa, ele pulsa. E é nesse pulsar que comanda e dita os ritmos da bela música da criação. Essa música pode ter uma letra, e aí entra a mente em seu devido lugar, onde escolhe as palavras que vão expressar em lógica, aquilo que o coração pulsou em vibração. A obsessão com um ou mais pensamentos é um sintoma que diz dessa troca de lugares. É uma espécie de blasfêmia condenar o coração quente, vivo e vermelho ao lugar da mente fria e calculista. É o assassinato do amor. Tudo isso gera, senão, apenas sofrimento e culpa seguido de um falso arrependimento que inicia novamente um novo ciclo de erros, cada vez mais violento.
E a culpa, que é nossa, queremos botar no outro. Ora, cada um é dono de si, cada um é Rei em seu próprio castelo, e faz o que bem entende com sues próprios bens. Quando o Rei é sábio, põe cada tesouro em seu devido lugar e o distribui conforme o mérito. Quando o Rei é tolo, distribui conforme a ganância e a prepotência; Seu castelo, logo logo, ruirá.
Para se dançar a bela música é preciso melodia. Uma música sem letra ainda é uma música, mas sem melodia, o que é?
Coração em seu devido lugar pulsa, vibra e toca sua bela música interior. A mente, em seu devido lugar, obedece ao ritmo do coração e expressa a lógica da criação.
Não pense com o coração, pois ele não pensa. O coração é para ser ouvido e respeitado, pois quem acha que pensa com ele, na realidade o cala.

A humildade é uma semente que se planta no coração e se rega a cada pensamento.
Sejamos humildes em reconhecimento ao verdadeiro valor de cada gota da criação.


Ouça seu Coração, nunca, mas nunca, o deixe calar!



terça-feira, 11 de julho de 2017

O interpretador e sua máscara, o jogo jogado inconsciente e o Apocalipse da mente

Na tragédia grega onde atuam os antigos deuses do olimpo, a história contada é regida por uma espécie de maestro interpretador que também é ator. Os papéis reproduzidos sob a tela da realidade são conduzidos aos passos bêbados de baco. Sua confusão hedonista, presente nos microcantos da mente é uma valsa sem ritmo e bela. Tragicamente bela. Sedutoramente bela. E seu feitiço é lançado pela ponta do nariz-varinha vermelho - como que de um palhaço. 
Quem percebeu o ator ganhou uma possibilidade: quebrar o feitiço e sair da dança do prazer enebriante. A falsa liberdade é cativante e faz de seus cativos, fantoches cheios de si. Enxergam-se no outro sua imagem imaginada, para aquém da verdade (que nunca pode ser imagem). Amam-se como quem ama o sexo. Acariciam-se como quem se masturba no silêncio. Usam e se deixam usar, como objetos sem dono, fadados ao eterno aluguel. Penhoram corações e mentes e dançam ao véu da Lua de prata. Fogem à batalha, pois suas armas estão com outro e com os aluguéis já gastaram seu ouro.
O Ragnarok vem para nórdicos e gregos. O apocalipse espera pelos que anseiam adentrar uma nova esfera. Enquanto o dançarino da velha era crepita no fogo, queimando a palha e purificando seu ouro, a moeda de troca ainda continua sendo o amor. Jogado de um lado a outro, conservando seu valor, trancado a 7 chaves pelo guardião do coração. O jogo jogado inconscientemente leva a ruína do jogador que crê estar por cima. Aquele que abandonou o tabuleiro, deixou de ser o peão que se cria Rei (ou Rainha). 
No Grande Salão dos Jogos existem muitos tabuleiros. O fascínio da aposta aposta em várias formas e cada jogador é atraído pela que lhe convém. Corresponde ao seu opoente e paga na mesma moeda, seja olho por olho ou dente por dente.
No toma lá da cá das emoções o sofrimento é garantido, tanto ao vencedor quanto ao perdedor, pois a Lei sempre presente e o Tempo, clarividente, dá a todos a porção justa pelas obras praticadas na mente.
Ao final da grande tribulação, moedas já não servirão. A Graça manifestada é plena e completa, pois cada jogo dentro do jogo é um espelho aparente que difunde a Luz, confundindo os arcontes que acreditam controlar os baralhos da mente.
Há redenção para todos. Essa é a Glória do porvir. Aquele que se deixou morrer, desistiu de seu oponente, ao transformá-lo em irmão de criação da Graça do Onipotente.