segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Eles não entendem


E como poderiam?
Se é abrindo o coração
- onde está a coroa –
Que olhamos com outros olhos o segredo da criação?

Ciência não explica a beleza da experiência que ela própria induz
– ao vestir o capuz –
Crucificando uma luz-renascente,
Que desmente,
Qualquer engodo da mente

Tua semente há de contar
As belezas que a mãe Terra dá
- e encarnar o sublime –
Que em todos pode estar

Oh, Mãe do meu filho!
Teu sofrimento é o mais belo alimento
Que sacia a fome do mundo inteiro
- Gerando no centro do peito –
Aquilo que um Pai é pra dar

Se meu choro é presente
- eu, um bruto descrente –
Reergo em lágrimas
Aquilo que desacreditara

Pois que tudo que era estéril
Renasceu pelo vosso mistério!


Para Francisco e Momô

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Tu não sabes

E como poderia?
Se os infinitos caminhos
Que tua mente projetou
Se emaranham num fio de lã espessa
Que engessa
O único caminho que deverias correr?

Como saber
Que tua sina desalinha em vã corrente
O que desmente e pronuncia
Bem óbvio
Em gestos nefastos de ódio?

Ah, mas o ódio...
Diz daquele amor não admitido
Que fica retido
Num coração petrificado pelo passado

Tu não sabes como saber
Aquilo que teus olhos bem vê
O bem querer que tanto te admira
E responde, em ira, o carinho que não sabes dar a ti

O saber vem pelo merecer
Mas tem que querer
E de outras eras se abster
Para abraçar o novo infinito
Que a ti te apresentas
Como amor sem reservas

São tantas eras...
Que carregas em vão
Pesando teu coração
Rogo a Deus do céu
Que te ensines o perdão
E o grande segredo da felicidade...




...O abrir mão.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

A precipitação,o precipício, o pressuposto e o princípio


Aquele que corre na frente, disposto a resolver os problemas por sua própria força e vontade, acaba correndo para seu próprio infortúnio. A precipitação na resolução do sofrimento alimenta o sofrimento e aumenta o precipício da alma. Acertar o timming tem a ver com paciência e deixar que a força trabalhe, pois são as coisas que são do Alto que resolvem as coisas de que são de baixo. O vento que sopra lá chega aqui, e na calmaria do olho do furação, os malfazejos batem em retirada. É o princípio do fim para aqueles que se servem de pressuposto em suas indagações. A confiança no poder superior não admite meia entrega, meia verdade ou meia vontade. A Fé é bem mais que um pensamento e, nesse mistério, que é o princípio da sabedoria, Aquele que vem primeiro subjuga principados e potestades, com um tiro e mira certeiros, predomina em tudo aquilo que toca. Glória a Deus nas Alturas, glórias àquele quem vem primeiro! Com o Mestre no comando, o caminho é seguro, limpo e certeiro. A dúvida é o medo e a cilada do inimigo, que levam ao precipício aqueles que achavam alguma coisa. Achar que se sabe é sutilmente diferente do Saber, é a armadilha e a isca, que em sua função, nos ensinam a merecer.
Vá sempre em minha frente, Oh Mestre! Pois teus caminhos são mais altos que os meus! E o teu Saber, o verdadeiro conhecimento!

Viva ao Grande Rei! Viva o Sumo Sacerdote! Viva Jesus Cristo Redentor! Viva o caminho do Amor!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

A semente do credo que brota nas profundezas da floresta

Quando estiquei meus galhos ao encontro do Sol
E pela copa subi devagar
Desabrochando em verdes ares
O que da flora pude contar

Era meu velho índio amigo
Quer seja ele ou eu
Ou o que o Espírito me deu
Na natureza não adianta buscar sentido
Nem tentar entender agora o que digo
Pois vem da floresta o caminho que sigo

E por dentre as matas sagradas
Onde os brancos reluzem espadas
Orgulhosos do sangue que escorrem
Brota-me o decreto de um credo

Que agora venho dizer e afirmar
Onde quer que exista Terra, água ou ar
O fogo sagrado vem animar
Tudo que existe e sempre existiu
É expressão natural do Amar
Seja árvore, índio, branco ou estelar

Na floresta se encerra o mistério do Império
Que a todos convoca
Me reúno com o Uno
No meio de uma Oca

Sou branco, índio, árvore e o mar
Sou a Terra, o Sol, a Lua e as Estrelas
Sou o que vejo e o que percebo
E ainda aquilo que não concebo
A Eternidade num momento
E nos limites do Tempo, sem medo

Expandindo pra dentro e pra fora
Respirando o ar que revigora
Sou o orvalho que a noite chora
E também sou o alvorecer de uma nova Aurora!

No meio do mato
No fundo do mar
Tudo ao Pai retorna o Ato
Pois Tudo a Todos Ele dá!
A quem se destina a seguir seus caminhos
E a todos seres resolve por amar.