Mostrando postagens com marcador 1984. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1984. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A fotografia da sociedade do espetáculo

Para deixar bem explícito antes que me apedrejem: sou apaixonado por fotografia. Não é, essencialmente, da arte que pretendo escrever aqui. Pretendo apenas esboçar um pensamento que me veio um dia desses, não que eu seja o detentor dele, afinal, só o percebi pelo acaso de ler coisas parecidas.
Para um completo entendimento do assunto, sugiro o livro que dá nome a esse artigo "A sociedade do espetáculo" de Guy Debord, ou se você preferir, esse texto aqui sobre algumas coisas que o livro aborda.

Você junta grana pra comprar uma canon semi-profissional para entrar no hall dos fotógrafos amadores, anda pra lá e pra cá ostentando sua câmera overrated, tira algumas fotos legais, bota uns filtros, cria um álbum no facebook e recebe algumas curtidas. Depois de um tempo cansa e passa a carregar menos a sua câmera, até o dia em que fica de saco cheio quando alguém lhe pede pra quebrar um galho na festinha da galera. Ou então, mas comum que Mc Donald's nos EUA, saca um smartphone qualquer e imortaliza cada momento da sua vida numa conta do instagram. Obviamente estou falando de mim mesmo.
Esse é o tipo de situação que só foi possível graças a fotografia digital. Até a era analógica, as coisas ainda eram um pouco controladas. Falo dessa tara hipster por fotografia, da qual todos os filhos da classe média, orgulhosamente, afirmam ter.
Mas qual é o problema em querer tirar fotos o tempo todo? Essa é uma pergunta retórica.
Façamos uma viagem à sua infância. Quantas fotos você tirou nessa época e qual a relação entre elas e as suas lembranças do passado?
Eu não lembro de quase nada a não ser do que vejo nos álbuns de família. Salvo uma cena ou outra (que marcaram alguma característica conservada até hoje), as lembranças que temos são falsas-lembranças. Ao ver uma foto, lembramos - ou não - daquele momento exato em que ela foi batida, e o resto da cena construímos a partir dela. Faça um exercício mental e verá que há alguma verdade nisso. Naquela época, não se batiam fotos aleatoriamente com tanta frequência que nem hoje - era custoso revelar cada foto e não havia a possibilidade de conferir na hora o resultado (exclui-se a polaroid, mas que também era cara).
Hoje registramos cada momento do dia: desde o almoço na cantina do trabalho até o pôr-do-sol no arpoador. Com que objetivo? Tirar uma de fotógrafo amador? Ostentar uma boa-vida para os amigos de redes sociais? Seja qual for, o resultado é sempre o mesmo: algumas curtidas e momentos perdidos. Exatamente: perdidos. Ao clicar uma foto, imortalizamos aquilo que a lente consegue captar, não os nossos olhos, não a nossa percepção, não a nossa alma. O problema reside em que ao me preocupar em tirar fotos, esqueço invariavelmente, de viver aquele momento. Enquanto há um objeto que se enquadre no quadro de captação, há um mundo ao redor que não conseguimos captar - e perceber. Coisa que um fotógrafo de verdade sabe muito bem, e exatamente por isso, ele tenta captar um lado que poucos enxergam (isso talvez seja o que chamamos de arte).
Mas o efeito pior ainda não é este. Além de "atrapalhar" o momento, a necessidade de fotografar gera muitas falsas-lembranças e, a longo prazo, uma "falsa-vida". Se somarmos isso a constante superexposição a que estamos submetidos todos os dias com fotos, vídeos, textos, etc, as consequências são ainda piores. Outro efeito catastrófico é a perda de memória. Ao se habituar com a fotografia quase onipresente, atrofiamos a nossa capacidade de armazenamento. Consegue lembrar da última festa com os amigos com detalhes sem olhar nenhuma foto? Aquele lugar magnífico que você foi a 10 anos atrás e o momento que viveu lá sem ter tirado nenhuma foto realmente aconteceu?
Por experiência própria, perdi boa parte dessa capacidade de armazenamento depois da explosão das redes sociais e das câmeras digitais. Tenho medo de pensar como estará minha memória daqui a 30 anos. Talvez eu nem me reconheça mais sem me olhar numa foto...
O paradoxo é que aqui estou eu, utilizando das redes sociais para falar de um mal que elas ajudam a propagar. Em tempos de apocalipse zumbi, esquecemos que o T-vírus pode muito bem estar nas mãos de cada um de nós, esperando para soltar sua letalidade a cada clic.

Ps. A fotografia dita aqui não se restringe apenas a tirar fotos, mas a todas as possibilidades a que estamos submetidos graças à sociedade do espetáculo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A Biblioteca de Babel

Borges, em La biblioteca de Babel (Ficciones, 1944), flerta com a ideia de que a torre de Babel, na verdade, seria uma enorme biblioteca que contém todas as informações e possibilidades do universo e da mente humana - uma concatenação de tudo -, e que o ser capaz de decifrar todos os volumes de todos os livros contidos nessa biblioteca seria, na verdade, o Deus.
A narrativa bíblica, por sua vez, conta que os homens antigos resolveram construir uma enorme torre que tocasse os céus, que chegasse às nuvens, e fizesse do homem, um ser inefável. Essa torre, fruto megalomaníaco da mente coletiva humana, seria a intenção de aprisionar Deus em uma obra feita pelos homens, ou seja, o entendimento teológico pleno, uma "kabbalah perfeita" que contém todos os mistérios do universo.
Não vejo porque não entender as duas visões, a bíblica e a de Borges, como sendo entonações diferentes para uma mesma metáfora. Para mim, claramente, dizem da mesma coisa.
Mais o mais interessante disso é a sua analogia contemporânea: no nosso tempo, o homem, em sua megalomania de conquistar a Verdade, resolve construir uma enorme biblioteca de conhecimento, que abrange todas as conquistas da inteligência em um único local que, ironicamente, chamamos de nuvem. Ainda tem aqueles que brincam como a ideia nem tão inocente, de que o Google seria Deus.
A grande falácia, talvez, seja pensar que tudo isso é novidade.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Filhos do progresso

- Sabe, dessas coisas que lhe digo, já sonhei algumas vezes. Ás vezes lembro-me deles, outras esqueço logo após tê-los concebido, mas de qualquer forma, sei que sonho. Um desses sonhos me chamou atenção e, logo após acordar, forcei-me a memória a fim de guardá-lo em minha mente, pois algum dia poderia me ser útil.

Era um outro mundo. Não outro planeta, mas outro mundo,  outra sociedade, de homens é claro. Era uma civilização avançada, análoga à nossa, mas os seus costumes me eram desconhecidos e com isso, não posso dar muitas explicações acerca deles. Não sei lhe dizer se era no passado ou futuro, ou mesmo fora do tempo. Apenas Era.
Os homens trabalhavam incessantemente e, incansavelmente produziam conhecimento. Nasciam, cresciam, estudavam, aprendiam, produziam, progrediam. Tudo conduzia a uma evolução. Mas, paradoxalmente e ironicamente, ela nunca chegava. Os homens, assim como nós, matavam-se, oprimiam-se, castigavam-se. Tudo em nome da liberdade. Falavam diversas línguas, mas de alguma forma, se comunicavam com o mundo todo. Tudo era interligado, parecia uma grande rede, e de fato, chamavam-na de Rede. Diziam-se reis da criação. De um lado, produtos finais da evolução, gerados pelo acaso, mas coroados pelo inevitável. De outro, eram coroados pela predestinação, produtos de um pensar perfeito e consequências de um chamado Deus. De qualquer forma, eram juízes e carrascos. E nesse pensamento, derramavam sangue. Fico pensando, se não é isso que estamos produzindo. Se não é atrás de sangue que estamos nos agrupando. Mas devo me calar. A civilização é necessária, pelo menos, é o que nos fazem pensar. Mas ainda acho que para nos mantermos silenciados, devemos criar uma espécie de ligação. Ligação com essa força, a quem no meu sonho, chamam de deus. Talvez essa ligação criada à nossa semelhança, possa tornar as pessoas mais maleáveis. Que tal? Poderíamos chamá-la de Religião! É um nome forte e conciso! Aposto que por muitas gerações, ela se manterá de pé, apenas pelo mito que podemos criar em torno dela! E mais! Por ser flexível à suposta vontade dos homens, ela pode adquirir muitos nomes e alcançar até essa civilização avançada que fala diversas línguas! Imagine! Em cada língua, uma religião! Em cada povo, um deus! E no fim das contas, foram todos criados por nós mesmos afim de nos prendermos! Ah, esses meus sonhos! Me dão tantas inspirações!

- Porque não se cala e volta a trabalhar? A Torre não se construirá sozinha!

- A propósito, já sabem o nome que vão dá-la?

- Rumores a chamam Babel.




Lucas Vizani

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

The cake is a Lie

Mente insólita. Nem uma nuvem sequer. Sol escaldante, secura na alma e desespero. Deserto de inspirações. Contentamo-nos com o oásis: miragem.  Ah, a miragem! Linda, bela, mar de rosas!
Saciemo-nos com sua mentira! Enquanto dançamos sobre os cadáveres, vale de ossos secos sobre o céu azul! Tudo azul!
Torna-se noite. Azul negro pintado de luzes. Luzes frias a modorrentas. A morte à nossa espreita! Mas calma, lembrem-se da miragem! Só a sua lembrança já nos é suficiente! Então o desespero torna-se aparente. Oh Meu Deus! Estamos em um deserto! Me me prometeram um bolo! Uma recompensa final por todos os meus sofrimentos!


- Prazer, me chamo Trumman! Mas todos me conhecem como o idiota, ou melhor, o manipulado. Prefiro  ser reconhecido pela minha qualidade de ser: espelho. Trumman, o espelho!
O espelho da sua vida! Caçoe de mim, ria, chore, se emocione ao me ver. Mas diga-me, o que esse espelho reflete?

- Prazer trumman, sou o pecado! Somos vizinhos a muito tempo, mas você, em seu orgulho nunca me deu um oi! Sabe quem paga as suas contas? Sabe que instalou sua Tv a cabo? Sabe quem limpa sua garagem todos os dias? É caro vizinho, sou eu. Vivemos no mesmo prédio, chamado "Você".

- E o outro? Quem mora no prédio chamado "pŕoximo"?

- Análogos a nós, estão os outros. Mas sempre insiste em enxergar apenas o pecado do outro, né? Se liga Trumman, você é o manipulado!

- E o que o outro pensa de mim? Se sou assim, seu acusador?

- Ora, acusador? Você? Esse é um nome bonito demais. Ele te conhece por outra "qualidade" sua.

- Qaul?

- Diabo. Sim! pensava que era outra coisa? Se tu acusas o outro do seu pecado, és apenas isso: O Adversário!

- Mas que maldição terrível! O que farei?

- Não pergunte a mim, sou teu pacado, teu acusador interno, teu diabo. Agora que me reconhece. tens noção de seu desespero Eleva-me ao máximo, daí, saberás o que fazer.

- Mas elevando-te ao máximo, não serei o maior dos pecadores?

- Quando o serás, saberás que és indigno e maligno. Aí sim, talvez haja para ti, salvação. E não se esqueça: Suas mãos não podem me guardar, apenas sua mente.



O bolo é uma mentira.





Uma homenagem a você. A nós.

terça-feira, 27 de março de 2012

O Fortuna

Minha sorte me traria uma nova vida, uma nova perspectiva. Jogo todas as minhas fichas nesse método ingrato: não é a toa que o chamam de azar.

Ora, mas que paradoxo! Jogo minha sorte num jogo de azar! É como se cortasse minhas pernas para dar ao leão algo que pudesse despistá-lo para não me comer, e assim, não poderia mais fugir.

Sorte no amor, azar no jogo. Mas se o amor não passa de um jogo de interesses, como fica? Nada mais faz sentido...

Carmina Burana já dizia sobre isso. Em sua poesia musicada, a sorte é uma entidade vivia que escraviza os humanos. Não posso dizer que escapo a esse vil destino. Seguindo uma linha racionalista, o acaso seria o responsável pela minha própria vida, pela vida de todos os seres. Mas sendo ele o bem feitor, seria ao mesmo tempo o carrasco. Senhor das cordas do destino, daria complacência as possibilidades, ora distendendo, ora contraindo.

Talvez haja um modo de burlar a sorte (ou azar, tanto faz), mas ainda não descobri. Já ouvi dizerem: "Sou o homem mais sortudo do mundo!"  logo após encontrarem alguém que lhes seja sine qua non. Será que uma azeitona de empada seja capaz de proporcionar a vitória sobre a sorte? Ainda não sei.

Maldita bendita sorte.
Sorte de quem vive direito.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Detalhe x Obviedade

Ao contrário do que pensam e dizem, o que realmente faz a diferença não são os detalhes (até porque se assim fosse, não seriam detalhes), mas sim o óbvio.
Detalhes existem para embelezar ou realçar uma beleza já existente, mas o que constitue as coisas, ah, esse é o óbvio! De que adiantaria planejar toda uma vida, todo um projeto, se ele não nascer? O óbvio determina a qualidade, enquanto ser, das coisas enquanto o detalhe é responsável apenas pelo acabamento final. Eu sou humano, e isso é óbvil! Sou um jovem e isso é um detalhe do meu "ser" humano, se priorizarmos o detalhe, simplesmente esquecemos que sou humano! E isso é inconcebível! Se olharmos apenas para os detalhes, esqueceremos do essencial, do que nos forma, do óbvil. E isso acontece com muito mais frequência do que se imagina, acredite! Que priorizemos o óbvio e, se o detalhe puder acompanhar, que seja bem-vindo!


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Bismillah!

Uso e abuso
Do Nome que cai no desuso
Uso e abuso
Assim mesmo, com maldade!

Não respeito
Não aceito
Quem quer ir contra
O meu conceito!

Você me odeia
Mas eu te amo
Amo sua alma
Quero ela pra mim!

Bismillah!

Minha máscara é de ferro
Ninguém a tira
Os que tentam
Despertam minha ira

Pisoteio com satifação
Te excluo sem pudor
Para ser usado como exemplo
Para todos dentro do Templo!

Bismillah!

Já sabe quem eu sou?
Mais um dica eu lhe dou
Não tenho um único rosto
Estou espalhado por aí!

Tenho um nome feminino
Que é para agradar a todos
Me escondo atrás de hinos
Ensaiados, cantados e repetidos

E repetição é o que eu faço mais
Que é pra firmar na sua mente
Aquilo que alguns rebeldes desmentem
Já sabem que eu sou?

Bismillah!

Apesar de querer
Sobre alguns não tenho poder
Esses tais de escolhidos
Que sobre mim, eu sei
Infelizmente eu sei que vão vencer!

Muito prazer, meu nome é Babilônia!
Mas pode me chamar de igreja mesmo
Se quiser me encontrar
Estou na esquina mais próxima!
É só entrar!
Ah, mas nunca esqueça do seu dízimo pagar!




Estava para ser dito a algum tempo.
Mais ainda tem muita coisa entalada na garganta.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Slow Fade

É como esquecer sua canção favorita
Ou o número de sua própria casa
Era tão fácil, as rimas bonitinhas
Mas, como era mesmo?

Você se força a lembrar,
Procura no seu Ipod, mas já não está lá
Cadê o número na agenda?
Mas abandonou a anos o seu lar!

Aí você percebe que se esqueceu de todas as coisas que eram importantes
E sobraram apenas as fúteis, aquela música que não significa nada,
Mas insiste em continuar tocando em sua mente
Ou o número do seu celular antigo que não funciona a anos.

E assim segue sua vida, fútil, inútil e infeliz
E derrepente já não é você mesmo, e sim outro
Outros gostos, outra mente, outra corpo, outro ser

E logo esse outro se transforma de novo, e de novo
Num eterno ciclo vicioso, como numa reencarnação maldita
Onde só piora o recipiente da alma.

Nunca pára, sempre, continuamente,
Irrevogavel, Impensável,
Inquestionável e Imutável.

Apenas resta a nostalgia e a saudade
De ser uma pessoa de verdade
Porque agora só resta a vontade

E a única coisa que te segurava,
A esperança, também se vai...

Mas, porque que isso aconteceu?
Como pode deixar o vazio tomar conta de você?
É simples, com pequenos detalhes.

Uma amizade errada aqui, ou um copo de birita ali.
Uma conversa fiada, ou um conselho infundado.

Sem opinião própria não se é nada!
Sem críticas é impossivel resistir
Às mãos como que de espectros
De um mundo que quer te sucumbir

Fantasma ou Zumbi, tanto faz!
Você apenas se desfaz...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Nossa cadeira

Nossa! como tem gente nessa história!
Nossa vida sempre igual
Necessitado de glória
Não me serve nem mural.

Nisso se baseia meu dilema:
Nosso amor já não me agrada
Nem se estivesse em Ipanema!
Não, não quero mais nada.

Negarei o fato, desacato!
Negarei a morte, pura sorte!
Negarei você, que se mostra na TV!
Negarei a vida, que ficará rendida!

Na verdade tenho que admitir
Nessa cadeira já não encaixo
Nunca deverei ao devir
Nem nunca mais me abaixo!

Nossa cadeira é confortável,
Nossa cama agradável,
Nosso quarto muito amado,
Nosso cérebro, mofado!

Nisso nos tranformamos: Meros Conformados!

domingo, 12 de setembro de 2010

Insigths (9)

Sou criança novamente, volto da escola como de costume perto da hora do almoço.
Minha mãe arruma meu prato e me entrega, vou almoçar em frente e TV novamente.
Ligo a maravilhosa caixa mágica, procuro algum desenho para ver, varro todos os canais mas não encontro,
Apenas Jornais ao vivo, desisto de procurar e paro pra ver: Jornalistas inconformados, choro, confusão, barulho, teorias, pessoas correndo.
Bum! Escombros e fumaça, Bum! Mais escombros e fumaça!
Como gostaria de ter achado um desenho! Programa de inocência e infância, mas agora é tarde, homens maus a roubaram.
O mundo nunca mais foi o mesmo.

09/11/2001