Mostrando postagens com marcador Pormenores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pormenores. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Divagação sobre a sabedoria

Dentre todas as possibilidades no grande jogo de azar que é a vida, não se julgais sábio o suficiente para escolher o melhor caminho. Entretanto, saibais que possais escolher, quer para o bem, quer para o mal,  a alternativa que mais lhe convir. De todas elas sofrerás o porvir - é a eterna lei da semeadura. És tolo ou sábio? Quem há de se atrever a responder, visto que os aparentes males que às vezes todos sofrem, parecem de certo, consequências de qualquer condenação?

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Deslizar na realidade

Entre o céu e a terra, há um horizonte. Entre a imensidão da atmosfera e a profundidade dos mares há uma superfície em tensão que provoca ondas e oscilações. De igual forma, entre o nascimento e a morte, há a vida. Se assim for, podemos enxergá-la, dentre tantos pontos de vista, em termos de eficiência. Vivamos parcimoniosamente, com eficiência, escolhendo as melhores embarcações disponíveis para navegarmos nos mares da realidade. Afinal de contas, o fluxo das marés coexistem numa esfera, e levam, ao mesmo tempo, à todos e à lugar nenhum.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Sobre a missão

De repente tudo faz sentido. O porque de sonhar sempre com a mesma coisa. Ou aquela conversa tida a 3 anos e da qual só resta o eco das ideias debatidas. Num momento singular, onde as perguntas são respondidas, ou nem tanto assim, mas que pelo menos a sensação faminta de "ter uma missão no mundo" é de certa forma, saciada. Passos retilíneos refletem uma mente em sinergia. É a alma gritando surda pra si mesma "achamos!". Isso acontece algumas vezes na vida de uma pessoa. Cabe a ela saber perceber essas faíscas de genialidade interior. O ponto na existência de onde se percebe o todo, ou pelo menos, um lampejo do todo. É o suficiente. Todo calor começa em um átomo, assim como toda fogueira começa em uma brasa. De repente, tudo se junta. Ou melhor, de repente percebemos que está tudo ali e a separação não passava de uma ilusão.
Encontrar o todo em uma singularidade.
A fé num grão de mostarda.
O universo num grão de areia.
O todo no um e o um no todo.
A vida e a morte.
Deus.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ataraxia

E se tristeza não é o contrário de Felicidade
E, bem na verdade, 
Felicidade não tem antônimo?

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O quadrinho

Já havia anoitecido. A praça começava a ficar cheia de gente, como é comum no inverno na cidade serrana. Não estava frio, apesar da noite carregar uma sensação nostálgica de um abraço gelado. Eu pensava, como sempre, nas questões da vida. Foi quando ela surgiu. Uma humilde senhora, que sempre passava por ali, vendendo uns quadrinhos mal-feitos por seu marido doente. Eles precisavam pagar o aluguel, por isso vendiam a míseros 2 reais cada quadrinho. Era visível a sua deficiência em se comunicar. Era engraçado seu jeito de falar. Era uma criança grande, pura em uma inocência preservada pela doença mental. Ela me ofereceu uma de suas obras. O marido desenhava e ela pintava. Enquanto eu admirava os traços de suas mãos trêmulas expressas no papel, ela falava de Deus. Falava com graça, da graça e de graça. De súbito, percebi que era como estar ouvindo um oráculo. Sua voz penetrou a fortaleza da minha alma. Eu não conseguia mais ficar sóbrio. O riso de sua presença me inundou e esbocei um sorriso tímido, mas verdadeiro. Era maravilhoso ouvi-la falar. Paguei pelo quadrinho, mal-feito à sua maneira. Ela disse que seu marido também tinha problemas, e aqueles desenhos eram fruto de sua mente inacessível para muitos. O quadro que escolhi era o de um helicóptero. Sua hélice em movimento formava uma cruz. O helicóptero olhava pra terra. Ali haviam árvores, construções e uma pirâmide. A sombra do helicóptero se projetava no chão, e lá no fundo, um pequeno sol tímido, se esforçava para iluminar o arcabouço de tal obra-prima. Acho que perdi a noção do tempo e fiquei ali, admirando a obra da humilde senhora. Ela agradeceu e saiu, proferindo bênçãos a mim. Me senti iluminado pelo pequeno sol que seu marido desenhou num pedaço de madeira. Não é a toa que Deus escolheu os loucos para confundir os sábios. Não é a toa que Ele se deixou ser desenhado e pintado pelas mãos de tão menosprezado casal.
Não é a toa que Ele resolveu falar comigo.

Nunca é a toa.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Navegadores e suas histórias


O quinto capítulo de Navigazioni fantastici de Giovanni Pondicherry conta a história de Pacanarus, um navegador tímido do século XVII. Pacanarus, com apenas um navio e alguns marinheiros inexperientes, descobriu uma ilha habitada por animais nunca antes vistos e um vulcão adormecido, no meio do pacífico. Alguns dizem que este fato inspirou Verne em seu livro "A Ilha Misteriosa", e que a ilha encontrada por Pacanarus, seria a Ilha Lincoln.
Desacreditado por todos os seus conterrâneos, o pequeno navegador não se deixou desanimar, e sempre falava: "Todo navegador, por mais que não tenha percorrido todo o oceano, sempre tem boas histórias pra contar." (Pág. 117, capítulo V) verbi gratia.
Não se sabe como, mas suas anotações de bordo posteriormente serviram para melhorar drasticamente o modo com que se realizava as grandes expedições do séc. XVIII.
Pacanarus é um episódeo desconhecido da História, mas não por isso, menos importante. A ironia da vida costuma rebaixar os grandes para que não se exaltem, e a seu devido tempo, sejam lhes conferidos a glória.
"Quem quiser ser realmente grande, precisa aprender a descer até a grandeza" disse Paulo Brabo em um de seus manuscritos. Essa é a máxima, a lei dos humildes.
Pacanarus morreu, não se sabe onde, não se sabe quando, mas sua pequena obra continua reverberando nos dias de hoje.

E não é isso que fazemos? Não precisamos de bons fatos para redigirmos bons contos!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

O fone e o velho

A música no fone de ouvido era alta. Eu estava em sintonia com um mundo paralelo ao real: o da minha playlist. Esperava o ônibus para o trabalho numa tarde fria na serra. O ônibus apontou na esquina da rua e eu percebi que estava cheio. Subi, paguei a passagem e percebi um lugar vago, apesar de terem passageiros em pé. Era ao lado de um velho.
Ele usava boina e bengala, bem típicos de um senhor de sua idade - devia ter uns 80 anos - e suas mãos, calejadas e disformes, seguravam uma pasta. O velho mexia a boca, mas como não podia ouvi-lo, julguei estar falando sozinho. Assim permaneci, apenas ouvindo a minha música, ao lado do velho.
Ao chegar no ponto final (eu não ia descer, o ônibus era circular), os passageiros formaram a fila de descida e, a minha música acabou. No meio tempo da troca de uma música para a outra, percebi o que o velho estava fazendo: ele cantava. Por uns breves momentos, percebi a sua voz, e tirei o fone do ouvido.
Parecia ter sido tirada de um velho LP de Cartola. A voz era carregada de experiência, sabedoria e transmitia a paz de uma vida inteira. Era muito afinada. Era linda. Era eterna. O velho desceu do ônibus, cantando. E eu, tentando guardar na memória o pouco que ouvi de sua voz.


E se era a voz de Deus? Nunca saberei, pois tirei o fone de ouvido tarde demais.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Pormenores

São 23:05. Caminho em direção ao ponto de ônibus, quando me dá uma vontade de tomar um refrigerante. Verifico as moedas existentes no bolso, está a conta: 2,50 a latinha. Passo direto do ponto para o barzinho mais próximo - sabia que o ônibus ia demorar mais uns 20 minutos. O barzinho é pequeno, seus poucos fregueses, uns bêbados assistindo futebol, mas apesar de tudo, um buteco com o refrigerante que eu queria. Pergunto pro tio do bar, se tem refrigerante. Ele me responde que sim. Pergunto o preço para me assegurar de que vou poder pagar, e peço uma latinha de refri. O tio vai buscar a lata e, ao voltar, faz algo que eu não esperaria nunca de um lugar daqueles.
O tio lavou a lata. Com esponja e detergente. Ao pegar a lata e agradecer, ele ainda me perguntou:
- Aceita canudo?


Mais uma das evidências de que o exemplo vem de baixo, dos pormenores do caminho.