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quarta-feira, 3 de maio de 2023

Narra-dor

Se me lanças tua verdade
Afiada de navalha coesa
Me acertas em cheio
À medida da vaidade

Como identificar tal Maldade,
Se se transveste de justiça?
Usando argumentos infinitos
É possível transformar qualquer crime em Louvor

Se até a palavra de Deus é usada como álibi
E justifica ~quase~ toda maldade humana
O que dirá de meu amor?
A quem serve de narrativa ao Terror...

Na lógica vingativa
A Vingança é divina
Quem pois, se deleita em seu banquete
Um dia terá de pagar a conta
Como todo diabrete...

Histórias criadas servem de desculpa
Pra não se encarar os diversos pontos de vista
Que de um prisma converge na luz
Que ilumina o labirinto mental

Admitir o efeito da mentira
É como se olhar no espelho
Mas em todo caso
O espelho é o outro

Anacronismo e Pleonasmo
São as colunas deste Templo
Que de sagrado sangra o peito
De quem é levado ao seu intento

Podes inventar qualquer desculpa
Só não admites o desejo
Pois ele precisa de uma justificativa
E faz da culpa, seu arejo

Desejo livre não precisa de porquês
Mas, como ~quase~ toda moeda,
Surrupiado por Burguês,
Vira moeda especulada
E escraviza o Camponês.


quarta-feira, 18 de março de 2020

O lugar do Mestre

  Existe um linha imaginária estabelecida nos reinos onde o pensamento racional passeia cego, que permeia todas as culturas. Muito já se foi dito dela, desde que o homem começou a se relacionar com outros povos e passou a considerar as coincidências. Cada um de nós, nos relacionamos com essa linha. Principalmente brasileiros. Aqui falo da Tradição. O contato que ainda temos com a Fonte.
Dessa Tradição, posso apenas falar pelo meu ponto de vista, até onde ele foi aberto acerca disso.
  Ao meu ponto de vista estão atrelados aquilo que escolho para representar a Fé, minhas opiniões, minha história pessoal, minha experiência. Cada um segue neste Mundo com seu ponto de vista.
 Com isso estabelecido, falarei dos conceitos e dos símbolos, a partir daquilo que eu consegui entender da mistura de culturas as quais me submeti até hoje, devendo o leitor fazer as adaptações necessárias para sua compreensão se assim o quiser.
  A Fé é um fenômeno humano. Uma faculdade. Uma capacidade. Um Dom atrelado a este ser que evolui sob a Terra. A partir dela, o Homem descobriu que pode alterar a realidade. Há aqueles que a negam, mas mesmo esses admitem os efeitos que ela provoca na realidade, principalmente quando ela é conduzida por um líder exaltado. Independente da religião/cultura que se pratique (prefiro falar em cultura, considero um termo mais apropriado), há, a partir dos fenômenos da Fé, alguns aspectos em comum. A Tradição é um desses aspectos. Esta Tradição é acessível a todos, a partir do Mistério Crístico, independente de qual personagem histórico a pessoa considere (se estamos falando de um Mistério Universal, este deve ser manifesto em todas as culturas, basta apenas que enxerguemos, ou melhor, queiramos enxergar). Este Mistério, Universal, é eterno, logo, sempre existiu desde antes da fundação do planeta. Mas como o planeta tem uma origem no espaço-tempo, nele, o Mistério se manifesta desde o seu nascimento. Neste Planeta, ao qual estamos submetidos, recebemos o Dom da Fé, que nos liga diretamente a esse Mistério.
  Mas somos humanos. Nossa natureza é dual, somos bem e mal (lembrando sempre, que a parte de nós que classifica qualquer coisa como boa ou ruim, é nosso ponto de vista). Sendo assim, podemos fazer deste Dom que recebemos, aquilo que bem quisermos, pois para que ele se manifeste é necessária a Liberdade.
  Cristo trouxe a mensagem da Liberdade. Da Verdade da Liberdade. Sua mensagem é um convite à Fonte Eterna, que emana a Luz sagrada da Verdade. Essa Fonte alimenta todas as culturas. Desde Tupiniquins a Chineses. Dentro de cada cultura, alguns se exaltam. Gosto deste termo "adepto exaltado". Estes são aqueles simbolizados pelo vampiro, o nosferatus. Todos as figuras que usamos para representar a divindade, seja ela politeísta ou monoteísta, passa pela imaginação humana. Cada cultura, cada povo, imaginou Deus de uma forma diferente. Alguns consideram deuses, outros apenas um. E em todas elas, há uma ligação com a Fonte. Mas essa ligação está oculta, é necessário que esteja, é natural que esteja.
  Na experiência humana, temos a oportunidade de encontrar um caminho até essa Fonte, Mas há aqueles, que encontrando um caminho, o transformam em verdade, e passam a oferecê-lo aos outros, por um determinado preço, seja ele um dízimo, uma oferta, uma doação, uma energia...
  Ao aprisionar em sua verdade, o vampiro passa a sugar a pessoa, a partir da criação de uma egrégora.
  A Egrégora é o que muitos chamam de igreja, mas ela não é o templo físico. Ela se concentra no templo físico, mas é além dele. Ela atua no inconsciente coletivo, por debaixo dos panos do pensamento, e reflete em atitudes, manifestando no plano físico, a vontade da Fé daquele que a criou e a mantém, o adepto exaltado (Qualquer líder espiritual de qualquer religião que seja). Este ser passa a ser o caminho para aquilo que ele chama de fonte. E o seu séquito, deposita sua Fé naquilo que o homem diz que é para se acreditar.
  Ora, vivemos um período curioso no Brasil. O surto de igrejas neopentecostais e pentecostais expõe essa Verdade de forma nua e crua, basta apenas querer enxergar. O Jesus de muitas igrejas, é o Jesus que o Pastor diz que é. Mas durante a experiência de um culto isso não fica claro, é necessário que se observe muito bem, em vários cultos, para ver. Em uma determinada denominação, os preletores devem seguir a teologia adotada pastor líder, para que as palavras não venham sempre dele, e isso se torne óbvio. Quanto maior o séquito, maior o número de poderes que este adepto confere aos seus menores. Caso algum deles fale algo que contradiga a teologia (ou cosmogonia) aceita, logo é desmentido e até calado de diversas formas. Ele põe em xeque o atual rei. O Pastor que é bom no que faz e sabe o que tá fazendo, é capaz de perceber isso muito rapidamente, e logo cortar aquele que pode ser um vetor de uma sangria maior em seu rebanho. Mas dentro disso, vemos muitas igrejinhas surgindo aqui e ali, dissidentes de outras maiores (certamente, foi um desses casos). O adepto comum que percebe isso ganha a chance de ser ele mesmo, um adepto exaltado, e assim, criar a sua própria egrégora afim de se retroalimentar de sua própria falsa verdade refletida em seu séquito. E o ciclo se inicia novamente.
  Passar por este processo, é parte da jornada humana (ou jornada do herói). É necessário que o buscador se encontre com esse símbolo, seja ele manifesto em uma pessoa ou não, independente da cultura que se pratique. A partir de sua liberdade, quando se consegue perceber a prisão da ilusão, o homem tem a oportunidade de trilhar o caminho da Liberdade em direção à Verdade, ou criar a sua própria verdade e limitar a liberdade de outro. Muitos são os que seguem o caminho mais fácil, já dizia o Cristo.
  Negar a si mesmo é o caminho da Liberdade.
  Se Libertar é mudar de opinião.
 Os falsos mestres estão aí, procurando a quem tragar em sua verdade. Mas existe o verdadeiro Mestre. Este que independe de nome, seja ele Jesus, Irineu, Krishna, Mitra...
  E Ele habita os reinos da Luz e Além.
  Mas para cada Mistério revelado, há a sua corrupção. Para cada Jesus existe um anti-jesus.
  Estes "anti-cristos" é o cristo do adepto exaltado. É o Cristo que ele mesmo criou e acreditou em seu caminho egóico. Também o é, o reino da luz, subvertido por muitos como "Grande Fraternidade Branca" ou Hossalfhaim para os Nórdicos, o Pimeiro Céu de Paulo de Tarso, ou Soma Chackra (logo acima de ajna (olho de shiva) que é onde opera a egrégora do adepto exaltado, onde se dá todo o processo descrito acima). Esses reinos são também faculdades humanas, pois somos imagem e semelhança de Deus. Logo, o Ragnarok e o Apocalipse acontece também dentro de nós.
  E este é o momento em que se percebe tudo isso. O Apocalipse, A Grande Revelação. Quando o ser percebe a ilusão provocada pelo seu próprio projetor, o olho que tudo vê, localizado entre as sobrancelhas, para isso é necessária a humildade para se mudar de opinião.
  A figura do Mestre, enquanto se está sob o domínio da ilusão, aparece como o que se quer ver, fazendo com que se acredite cada vez mais em sua própria mentira. Aquele que se projeta de volta para a pessoa como verdade, é o Guardião da Verdadeira Verdade e confunde aquele que ainda não se libertou de si mesmo. Quando a provação vier, é este Guardião que irá incinerar tudo aquilo que o homem achava que era verdade, e se ele se agarrar a essa verdade, perecerá junto dela. Esse é o julgamento pelo fogo, descrito no Apocalipse de João. Se o homem abrir mão de sua verdade, e reconhecer que nada sabe, é dado a ele a oportunidade de seguir seu caminho até a Luz, lembrando sempre de não cair novamente na tentação de achar que encontrou a verdade e dela fazer posse.
  Neste momento, é revelado outro Mestre, agora sem nomes, sem faces e sem rótulos. O Mestre da Liberdade, aquele que fala através de qualquer coisa e de qualquer um, bastando apenas que estejamos atentos à Sua Voz, sem o confundirmos com aquilo que queremos ouvir.
A partir daí, tem-se um canal direto com a Fonte. Esse canal pode se manifestar a qualquer momento (e creio que na verdade ele se manifesta o tempo todo, nós é que somos surdos mesmo).
Esse é o Lugar do Mestre. É daqui que Ele fala.
  Um detalhe, o verdadeiro Mestre não nega a ciência, muito pelo contrário. Ele estimula os homens a estudá-la, a aumentá-la, pondo Ele mesmo a prova. Pois se a Verdade é Universal, ela pode ser confrontada com o que for, ela resistirá. Se não resistir, é porque era apenas uma verdade exaltada.
  Ponde Deus à prova! Ainda estamos no caminho para conhecer Ele, e temos nosso pensamento racional para nos servir, temos nossa ciência para testar tudo aquilo que achamos que é verdade. Não devemos, entretanto, pôr a própria ciência no lugar do Mestre, pois assim, estaremos criando um rótulo pra ele, ficando apenas confinados numa outra egrégora, agora "científica" mas que existe justamente pela faculdade humana chamada Fé. Não se tem Fé na ciência, mas se usa a ciência para por a Fé em teste através de um método, que nunca será infalível. A ciência humana têm limitações em seus métodos, limitações que vão se ampliando, a medida que o Homem chega mais perto de Deus.

  Agora, com o Mestre em seu devido lugar, o homem segue seu caminho livre de imagens criadas pela sua própria mente, alimentadas ou não, pela mente de outro.



Saibam de que Mestre falo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Eles não entendem


E como poderiam?
Se é abrindo o coração
- onde está a coroa –
Que olhamos com outros olhos o segredo da criação?

Ciência não explica a beleza da experiência que ela própria induz
– ao vestir o capuz –
Crucificando uma luz-renascente,
Que desmente,
Qualquer engodo da mente

Tua semente há de contar
As belezas que a mãe Terra dá
- e encarnar o sublime –
Que em todos pode estar

Oh, Mãe do meu filho!
Teu sofrimento é o mais belo alimento
Que sacia a fome do mundo inteiro
- Gerando no centro do peito –
Aquilo que um Pai é pra dar

Se meu choro é presente
- eu, um bruto descrente –
Reergo em lágrimas
Aquilo que desacreditara

Pois que tudo que era estéril
Renasceu pelo vosso mistério!


Para Francisco e Momô

terça-feira, 18 de julho de 2017

O pulso rubro de um coração e a melodia que se origina no interior


"O que eu vim para dizer, você deve escutar: Ouça seu coração, nunca deixe calar!"

A capacidade de botar as coisas em seu respectivo lugar é uma virtude. Bem provavelmente, uma virtude de humildade.

Um dos grandes erros cometidos pelo orgulho humano é trocar os lugares e confundir seus próprios aspectos.
Essa confusão opera em diversas esferas, até que o homem aprenda, se humilhe, e reconheça sua prepotência de achar que sabe de alguma coisa, tanto de si quanto do outro. Essas palavras vêm justamente como reflexão em cima de uma batalha realizada contra si mesmo no campo das emoções.
Costuma-se e nisso se cria uma zona de conforto, colocar o coração em um lugar que pertence a mente, e vice-versa. Ora, o coração não pensa. Tudo que é pensamento é obra da mente e ela, quando troca de lugar com o coração, confunde as diversas camadas que compõe o ser. O coração não pensa, ele pulsa. E é nesse pulsar que comanda e dita os ritmos da bela música da criação. Essa música pode ter uma letra, e aí entra a mente em seu devido lugar, onde escolhe as palavras que vão expressar em lógica, aquilo que o coração pulsou em vibração. A obsessão com um ou mais pensamentos é um sintoma que diz dessa troca de lugares. É uma espécie de blasfêmia condenar o coração quente, vivo e vermelho ao lugar da mente fria e calculista. É o assassinato do amor. Tudo isso gera, senão, apenas sofrimento e culpa seguido de um falso arrependimento que inicia novamente um novo ciclo de erros, cada vez mais violento.
E a culpa, que é nossa, queremos botar no outro. Ora, cada um é dono de si, cada um é Rei em seu próprio castelo, e faz o que bem entende com sues próprios bens. Quando o Rei é sábio, põe cada tesouro em seu devido lugar e o distribui conforme o mérito. Quando o Rei é tolo, distribui conforme a ganância e a prepotência; Seu castelo, logo logo, ruirá.
Para se dançar a bela música é preciso melodia. Uma música sem letra ainda é uma música, mas sem melodia, o que é?
Coração em seu devido lugar pulsa, vibra e toca sua bela música interior. A mente, em seu devido lugar, obedece ao ritmo do coração e expressa a lógica da criação.
Não pense com o coração, pois ele não pensa. O coração é para ser ouvido e respeitado, pois quem acha que pensa com ele, na realidade o cala.

A humildade é uma semente que se planta no coração e se rega a cada pensamento.
Sejamos humildes em reconhecimento ao verdadeiro valor de cada gota da criação.


Ouça seu Coração, nunca, mas nunca, o deixe calar!



terça-feira, 11 de julho de 2017

O interpretador e sua máscara, o jogo jogado inconsciente e o Apocalipse da mente

Na tragédia grega onde atuam os antigos deuses do olimpo, a história contada é regida por uma espécie de maestro interpretador que também é ator. Os papéis reproduzidos sob a tela da realidade são conduzidos aos passos bêbados de baco. Sua confusão hedonista, presente nos microcantos da mente é uma valsa sem ritmo e bela. Tragicamente bela. Sedutoramente bela. E seu feitiço é lançado pela ponta do nariz-varinha vermelho - como que de um palhaço. 
Quem percebeu o ator ganhou uma possibilidade: quebrar o feitiço e sair da dança do prazer enebriante. A falsa liberdade é cativante e faz de seus cativos, fantoches cheios de si. Enxergam-se no outro sua imagem imaginada, para aquém da verdade (que nunca pode ser imagem). Amam-se como quem ama o sexo. Acariciam-se como quem se masturba no silêncio. Usam e se deixam usar, como objetos sem dono, fadados ao eterno aluguel. Penhoram corações e mentes e dançam ao véu da Lua de prata. Fogem à batalha, pois suas armas estão com outro e com os aluguéis já gastaram seu ouro.
O Ragnarok vem para nórdicos e gregos. O apocalipse espera pelos que anseiam adentrar uma nova esfera. Enquanto o dançarino da velha era crepita no fogo, queimando a palha e purificando seu ouro, a moeda de troca ainda continua sendo o amor. Jogado de um lado a outro, conservando seu valor, trancado a 7 chaves pelo guardião do coração. O jogo jogado inconscientemente leva a ruína do jogador que crê estar por cima. Aquele que abandonou o tabuleiro, deixou de ser o peão que se acreditava Rei (ou Rainha). 
No Grande Salão dos Jogos existem muitos tabuleiros. O fascínio da aposta aposta em várias formas e cada jogador é atraído pela que lhe convém. Corresponde ao seu oponente e paga na mesma moeda, seja olho por olho ou dente por dente.
No toma lá da cá das emoções o sofrimento é garantido, tanto ao vencedor quanto ao perdedor, pois a Lei sempre presente e o Tempo, clarividente, dá a todos a porção justa pelas obras praticadas na mente.
Ao final da grande tribulação, moedas já não servirão. A Graça manifestada é plena e completa, pois cada jogo dentro do jogo é um espelho aparente que difunde a Luz, confundindo os arcontes que acreditam controlar os baralhos da mente.
Há redenção para todos. Essa é a Glória do porvir. Aquele que se deixou morrer, desistiu de seu oponente, ao transformá-lo em irmão de criação da Graça do Onipotente.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A inviolável pureza do Coração

A pureza de um Coração é inviolável. Por mais que tente com entulhos infestar a mente, a Verdadeira morada do Intento continuará lacrada a 7 chaves, impedindo qualquer invasor de adentrar os portões sagrados. Todo Ser é um Presente dado por Deus a Si mesmo. A ingratidão humana é apenas a teimosia de querer ser o que não se é. Ilusionista mora dentro de mim, mas não sou eu. Ele se veste, se parece e se olha no espelho, afirmando pra si: Este sou EU! Ilusionista é a própria ingratidão, é sua própria mentira e a grande ilusão (de que tanto já se falou). Seu reino é um labirinto imaginário, orgânico-virtual que se mantém em minha mente. E é assim com toda gente. Não adianta, ego, pois tuas armas são ineficazes para com o grande Mistério do Sagrado Coração. Carrego-te, como quem carrega o fardo, como quem andarilha em direção às montanhas da perdição para lançar ao fogo o pobre ouro do poder.
Cada ação no mundo da ilusão pretende roubar para si a atenção do Sagrado dentro de cada um. Pois aquele que, por ora, dirige a falsa embarcação, nunca poderá ter a chave dos céus em suas mãos, sendo assim, desvia a atenção de quem ainda dorme e por vezes ainda daqueles que tiveram lapsos de vigília dentro da grande noite. E o poder de desviar a atenção é meramente ilusório, como tudo o que provém da ilusão.
Viva este Eterno Coração! Que pra sempre e sempre carrega a pureza e a verdadeira Glória da criação!


quarta-feira, 28 de junho de 2017

O pensamento, a profanação do Templo Sagrado, a redenção pelo sacramento

Uma fagulha de pensamento agitou meu argumento
Dividiu, separou e arregimentou o que unido estava
É a fruta de Eva, é o mel amargo, é a tentação divina, é o livro sagrado
Profano ser diminuto que estou sendo
As palavras que profano são as linhas que estás lendo

A tempestade que inicio dentro da mente
É a tragédia grega que desmente
A Verdade verdadeira do coração
Que silencioso, pulsa o movimento da criação

A serpente que atravessa as eras
Me mantém cativo em seu ventre
E entre essas mônadas esquisitas
Danço a fúria dos prazeres sibaritas
Até o momento da completa dissolução
De toda pedra sobre pedras

Escutai-me, Oh. pranto meu
O apelo de Maria
Que é pra naquele Grande Dia
Poderes achar o que se perdeu

Pois cada palavra que lanço
É o Verbo que desmancho
É a Lótus que não desdobra
E o feitiço que me encanto

Dai-me o silêncio de vosso Manto
Ensina-me a humildade do cordeiro
Pois este é o tiro certeiro
A reconstrução pelo Oleiro
A Nova Vida que tanto anseio!

A calma é o Vosso alento
É a ciência do Sacramento
É o pão da vida o mais precioso alimento
É o Guerreiro em seu intento
Que jaz morto, vive o eterno neste momento!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

O Segredo

No hospital das almas
A doença é a loucura
E o remédio que cura
É a verdade que se busca

Desbravar os mares profundos
E mergulhar nas águas que afundam
Todo peso segredo escondido no mundo
É revelado em mistério e sentido na pele

A coragem que se prega
A mente é que nega
E esfrega na cara
Estampando na testa

Dizer de si mesmo é o discurso do louco
Que gira e gira em seu próprio torno
A matéria bruta que não trabalha
E encalha sempre na mesma praia

O quadrado que parece
Bem firmado em uma prece
Não se curva ao Senhor Tempo
Logo, logo então padece

Ora meu amigo
O que quero dizer não é o que digo
Pois palavras retornam ao umbigo
Daquele que não encontrou consigo

É difícil e pesaroso
Todo trabalho honroso
Pois sua glória não é matéria
É noutro plano, é etéria

A firmeza todos têm
Mas é preciso se encontrar
Não é falar do outro
E nem fazer o que não convém

Tudo posso naquele que me fortalece
E bem firmado em Verdadeira prece
Aquela que não parece
Venço dragões de toda espécie

Perdoai este pecador
Que muito fala e pouco faz
Ensinai-me e ser humilde
E praticar Só o Amor

Consolai a minha dor
E daqueles que me acompanham
Para que lá na frente não apanham
De si mesmo em sua manha

O bálsamo sagrado
Vem do espírito alado
Que descansa lado a lado
Esperando ser amado

Só o amor Só o amor
É que cura
É a coisa mais pura
Que vem direto do Criador

A ilusão convence
E com discurso debate
Expondo meias verdades
Deixando preso no hades

Insisto e persisto
Que tu possas vencer
Digo, digo e volto a dizer
O segredo para não sofrer

É a calmaria de Maria
É o descanso do Mestre
Que ali no convés
Dorme em paz sem estresse

No meio da tempestade
Bem no centro da maré
Onde forma o turbilhão
Está a pérola do Amar É

Ainda há Tempo de se ver
É só querer Ser
Tudo o que já se É
Está contido na Fé.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Do quadrado à esfera

Catedrático humano que sou
Já não cabe-me o quadrado
Que outrora fora minha catedral

Curvei-me às elipses do mundo
De esfera reformei minha esclera
Ao ver nova vida circulando uma nova era

É que o formato já não comporta o ato
De ser quem realmente se é
Ao entregar-se puramente em fé

O paradoxo tóxico resolvo na mente
Reconcilio os irmãos opostos-aparentes
No centro da hipófise esta tese

E não adianta, por mais que reze
Se minhas mãos não manifesta esta prece
É no trabalho que o Divino aparece

A estrada é longa, por onde percorrem os impulsos elétricos
Do mundo das hipóteses e das ideias
Ao das obras praticadas às plateias!

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Divagação num escritório de um maio meio lá e cá

Olhei para o canto e percebi uma fresta de luz. Cintilante, sublime pulsante, vangloriando-se de ser desapercebida. Era no canto, que desviamos o olhar, que se encontrava a pequena luz. Vestida da noite, sua presença constante - escondida - não obstante, limitava-se a projetar a si mesma.
Eis o que olhei: era Ela e era Eu. A luz que era um buraco, preenchido com o nada, expandia sua luz de matéria metafísica e constituía tudo o que ela não era. Olhar para dentro é olhar verdadeiramente para fora, a ilusão dos sentidos ofusca a verdade tendo como miragem a imagem que fulmina o olhar. Para encará-la de verdade é preciso coragem. Sob o risco de virar cinzas pelo próprio fogo, o dragão teimoso, agora é manso e medroso e foge ao primeiro sinal do verdadeiro perigo. Ele persiste, em qualquer canto escuro que possa servir de covil. A luz, antes vestida da Noite, encontra-se despida em Dia, e aos poucos sua Aurora clareia toda rachadura cavernosa que poderia servir de abrigo aos amistosos da escuridão.
Quando Dragão não mais tiver sua pretensiosa paz ao se esconder, poderá despertar e parar de se arrastar, elevando-se por fim, ao encontro da Luz que se escondia em si mesma.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Relato onírico I

Fogo que queima sem arder, gera vida ao morrer, voa quando cria raízes e é o réu quando se pretende juiz.
A impermanência de sua subsistência é a essência da transmutação.
Em 70 dias compreendereis o segredo dessa missão. Prepare dois sacos vazios - tu e teu irmão - pois serão preenchidos com a sabedoria do fogo.
Purifica teu coração para receber as Bênçãos da harmonia, amor, verdade e justiça.

Acordo de uma revelação. Estou dentro de outra camada que se destrincha recordando o que abara de se passar. O elemental do fogo deixou sua marca e impressão digital, queimou a sarça sem consumí-la. Sagrado. A serpente aos poucos aprende a criar asas. O treinamento é longo e doloroso, revisita um passado desgostoso e carrega em si o sabor de sua própria cauda. Permita-se o teu silêncio e acalme vossa ansiedade - com o peso da idade, vem a liberdade da compreensão.
Uma mente mais coesa e harmônica é um parque de diversões da essência de uma criança. Uma mente indisciplinada se assemelha a um show de horrores: não é coisa para crianças.
Encontrareis a doçura e o mel das abelhas quando souberes recuperar o néctar de sua flor de ouro, roubado pelas más obras de suas mãos metafísicas.
Revisitas o que o mal causou. Confiai no fogo, cauterizador.

Afinal, tudo são cinzas.


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Procura-se emprego

Procura-se emprego
E o apego, esse que deixou
Foi embora e não voltou
Paga-se o preço
Com juros
Cobrado ás juras
De um amor que findou

O juramento sacralizado ás figas
Mascarou quem golpeou
Mas também colocou em evidência
O colóquio da cloaca que excrementa a mistura de um intestino sub-desenvolvido
Mamífero-reptiliano
Suga o sangue dos que procuram emprego - subnutrido

Há de ser ouvido?
O choro do índio sem mão
Ou a fome do menino sem pão
Enquanto os santos rezam
E prezam o que vão levar pro caixão?
As preces-spam que lotam a caixa de entrada dos deuses?

Deleuzes
Pós-modernos
Moldando as ideias dos que escrevem pseudo-poesias
É tanta patifaria
Que não acredito nas palavras que vomito
É a egrégora do pito
Que amortece o sentido
Do coração que luta em vão
A luta dos novos deuses encarnados
Enterrados em sepulcros caiados

Como vive quem nasce morto?
E como morre quem nunca foi vivo?
É na sombra do mito
Que se encontra redenção
Fora do tempo
E do espaço
Fica aqui minha oração
Meu Pai e Minha Mãe

Perdão.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Guerreiros inconscientes

Leve uma espada feita com o melhor dos materiais ao melhor ferreiro de toda a Terra, ainda sim, sua língua será mais afiada.

Não se dá uma arma a uma criança. Antes, sobretudo, ensina-se a criança desde cedo a trabalhar e aprimorar suas técnicas a fim de poder usar suas habilidades, quando madura, com sabedoria. Assim deveria ser.
No mundo da inconsciência, armas são usadas como brinquedos e ferem todos os envolvidos no jogo de espelhos.


A palavra pronunciada corta mais que raio lazer, exige responsabilidade e destreza, com o risco de ter um dos membros amputados (na melhor das hipóteses).
Quem com ferro fere com ferro será ferido, quem com a palavra ataca, com a palavra será atacado.
Ponha uma sentinela em vossas bocas, pois o que macula o coração não é o que entra, mas o que sai dele.


Trabalhe, como o melhor dos ferreiros, sua espada, para que quando fores convocados à guerra, não encontre-a gasta e sem cortes. Treine sua mente, que é quem controla e manuseia essa espada.
A verdadeira guerra não é entre os povos, não é entre irmãos. Saibam de que guerra vos falo.
Deixe a Justiça para os Justos, não queiras prová-la com suas próprias mãos ou boca. Seja um servo da Verdade, não um Rei.
Os altos postos da verdadeira hierarquia são destinados a quem os merece, não a quem os deseja. Lute pela causa, mas não queira governá-la, pois a quem muito é dado, muito é requerido e quem diz muito, pouco sabe.


Calo-me perante a Verdade, deixe que ela fale.
E que Deus nos ajude.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Justiça

Justus recebeu seu nome antes mesmo de nascer. Antes, até mesmo, de ser concebido num ventre - sempre sagrado - que sangra as mazelas do mundo. Germinou de fora do tempo na mente eterna do Criador da Verdade. Ao nascer, teve a sorte de contar com o tempo: veio na hora exata, nem antes nem depois, pois sua matriz era certeira. Justiça era seu anjo guardião, injustiça, sua potestade. Encararia o peso da balança cósmica com a graça de quem sabe sua própria medida. Nem mais nem menos, apenas aquilo que é justo, apenas o preço a ser pago sem desperdício. Quando criança, não mentia, quando jovem, sem calúnias. Apenas verdades.
Claro, tudo isso para si mesmo. Sua potestade via-no sempre com maus olhos, chamava-o mentiroso, monstruoso, castigava-lhe com a maior das balanças impossíveis. Ninguém soube dizer se cumpriu sua missão, pois grande era o seu trabalho e de difícil compreensão. Após sua passagem, sua alma, dividida em medidas igualitárias se espalhou pelo mundo, dando a cada um de seus inimigos a justa porção a quem lhes cabia.
De tanto ofendê-lo, tive minha recompensa: sua potestade, que agora, redimida pela sua morte, se apresenta a mim como justiça. Esse era seu trabalho, inconcluso em seu tempo de vida, pois que o próprio tempo, interpretado pela mente humana, é fruto da injustiça. Agora, olhando de cima, vejo-o com as duas mãos estendidas por sobre a humanidade, dando a todos, os da esquerda e os da direita, porções iguais de seu próprio sangue. Conquistara a Balança, por ter pagado o Justo preço por ela. E eu, que de baixo me olho, engano-me constantemente, por sobre a potestade que me foi dada, e desvio-me daquilo que devo pagar. Tolice, o Tempo há de voltar e cobrar, vez ou outra, aquilo que quis manter para mim mesmo.
Lembrai-me, Justus, do Ego que recebi, da túnica de glória que esqueci, ao deixar as mansões de Luz.
Tua Justiça é misericórdia e Teu castigo é Amor, pois até o Tempo, esse Juiz, a Ti está a servir.



Kaô Kabiecilê



sábado, 25 de março de 2017

A palavra como pecado, a transgressão daquele que ambiciona a criação

Há palavras proibidas. Há assuntos que não devem ser debatidos. Palavra é magia, na inconsciência ou não, afeta e molda o mundo a volta daquele que a pronunciou. Na construção da ilusão, todo cuidado com a palavra é pouco. Percebe a ilusão quem se desiludiu da realidade e olhou para fora do globo construído sobre a Terra plana. Estou pecando, neste momento, em que digito estas palavras malditas. É que insisto na rebeldia de dizer aquilo que não pode ser dito. Costumo pagar o preço com um punhado de felicidade que me esvai ao ser cobrado pela palavra que lancei. O processo é lento, a serpente é faladora e adora lançar uma opinião - ou declarar o óbvio - toda vez que lança o olhar para o mundo da ilusão. Serpente gosta de se fingir poeta, esconder - ou tentar - nas entrelinhas aquilo que quer dizer. Tola, cai em sua própria armadilha, o bote atinge sua própria cauda e, aquilo que gostaria de dizer acaba sendo mal interpretado - por vezes opostamente - e gera um efeito oposto daquilo que intencionou.
Cá estou, pecando novamente, dizendo daquilo que não posso, aprisionando em símbolo linguístico o que nasceu livre e independente de interpretações. A quem peço o perdão pelo pecado da criação?
A quem pede o perdão, o criador, pela obra de suas mãos?

Shhhh

Silencie vosso verbo. É no silêncio que encontras o perdão. É no amor que esfrias e compreende o calor das emoções.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Idiossincrasia

O teu tesouro, a tua loucura e a tua verdade é o corpo-alma-espírito da peculiaridade. A trindade unitária que diviniza a psique.
Liberdade para ser.
A normalidade é a falácia que constantemente oprime o gênio, é a lâmpada mágica que comporta o incomportável através do contrato-imposto-social.
A qualidade de ser peculiar, aquilo que te faz ser o que veem em você além da máscara contratada para o espetáculo da tua morada.
Não confias em si mesmo, pois é louco.
Não progrides teu tesouro, pois é pouco.
Não percebes a verdade, pois é vaidade.
Estão s-e-p-a-r-a-d-o-s.
Se consideras loucura tua verdade, tira-lhe o crédito; Se consideras verdade tua loucura, dá-lhe poder; O tesouro brilha e consome o dragão, que se fecha em si mesmo, sendo de si, o ladrão.

Confusão!

Saber que a loucura é a verdade - vice-versa - e que isso consiste o tesouro que lhe foi concedido.
Idiossincrasia.
Libertá-la é a ciência infusa. E a infusão só se dá pela água - que é o espírito - que congrega e liberta os opostos-apóstolos que brigavam pelo poder da razão.

A minha metalinguagem se comporta assim. Posso entendê-la relendo-a e reinventando-a. Voltarei a esse breve momento algumas vezes mais. Se mais alguém ler, verá uns traços idiossincráticos - é meu exercício de libertação.
Exercite-se! Alongue os pequenos braços mentais que buscam desesperadamente aonde agarrar, pois a queda é livre, assim como a própria mente.

A loucura é a verdade, a normalidade é a loucura, mas não é a verdade. Como entender o silogismo que fere a mais básica lei da correspondência?

Sendo louco.










E livre.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O salto de fé: o mergulho profundo


Tem que ser de cabeça, até porque, a mãe de todas as cabeças exige entrega completa. Não adianta molhar os pés no raso, quem tem medo do mar nunca poderá chegar ao oeste...
E é do outro lado que nos aguarda o novo mundo. Circundando esse globo de ilusão, é no centro de seu coração que se encontra a redenção. A gravidade puxa, a lei é certeira: nos leva de volta às origens e, por estas vertigens alcançamos um novo caminho. Os seres do mar nos chama e conclama a desbravar suas profundidades - é lá que se esconde os segredos! - é preciso coragem para ir aos confins da origem das idades.

Atlântida ou Lemúria? Pouco importa a nomenclatura, se num momento de fúria destruímos sua memória, como despertar toda sua glória? A fé é o segredo, é o caminho e é o método que nos mostra a direção.
Mergulhar na imensidão, não temer o desconhecido, enfrentar o Leviatã com a certeza da vitória garantida por um amor de mãe que tem o controle de tudo e sabe domar o dragão...
Não é a toa que o mar nos chama, é só começar a entrar que se sente a corrente em nossos pés. O canto de sereia faz melodia em todos os ouvidos, surdo é aquele que não segue seus sentidos, e pensa com a razão, se tratar de ilusão.
Lógica nefasta e agourenta não acompanha o ritmo das águas lentas, acelera o pensamento e desvia seu argumento da sincronia da manifestação.
Marinheiro tem que respeitar, tem que ser humilde pra navegar. Arrogância é irmã da ganância e onde há motim, há morte e miséria e por mais que o mar seja o fim, numa orla espera um novo começo. Marujo bom sobrevive à tempestade, e no fundo sabe que depois de toda batalha no mar, espera-lhe a felicidade da calmaria de Maria.

São muitas ondas a se cruzar, são muitos mares a navegar, nos espera ansioso o porto final, é nossa casa, afinal!
Sigamos, marujos!



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Exageros e desculpas: a serpente sente seu próprio veneno

É, sou exagerado. Aprendi com o teatro: enfeitar a máscara pra evidenciá-la ainda mais. Quem sabe assim alguém perceba minha ilusão...
É que de tanto gesso a máscara cai no chão. Gravidade, lei de mãe-terra, puxa pra si todo peso que arqueia meus ombros. Todo pássaro precisa lidar com a lei forte se quiser alçar seu voo. O impulso que nos eleva vem de baixo e toda árvore que anseia tocar os céus com sua copa precisa permitir-se enterrar-se, obedecendo a ordem natural pra chegar ao pai celestial.
"A matéria eu entrego a ela e o espírito ao divino" disse o Mestre. Exagero-me para enxergar-me. Pinto o 7 para encontrar os sete caminhos do espírito. A serpente rasteja no chão, trabalha nas sombras e se esconde até chegar o momento de sua redenção. Ascensão. A kundalini sobe aos céus levando consigo a espiral da manifestação. Alado ser celestial, amou a terra com seu ventre, comeu do pó que o homem pisou e guardou seu segredo em uma flor de ouro.
A falsa luz disfarça bem, ofusca as sombras e esconde por expor suas ilusões. Feche o olho e entenderás, que é no escuro que o herói se faz. Para vencer a tentação do salvador, deve-se olhar nos olhos que não enxergam a sua verdadeira face oculta. Pegar a catapulta da contra-mão, nas cachoeiras ser salmão, e esconder da mão esquerda as obras praticadas pela direita. É vice-versa. Trabalhar na desinversão. Se estas palavras ressoam, com seus significados mil, não nos leve a mal uma possível intenção vil. Ou leve, tanto faz. Sou responsável pelo que digo e tu, pelo que entendes. Cada um com seu filtro, ora pra dentro, ora pra fora. A membrana é ilusória. Não existe aqui ou lá: Tudo é Agora.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

O duplo e a jornada do guerreiro: o paradoxo da consciência da criação

Meu inimigo se apresenta como amigo, destila seu veneno em parcelas pagas com o suor do desespero e veste o véu da inconsciência que me separa de seu mistério. O amigo - que sou eu - é fiel companheiro plebeu. Acompanha-me no deserto, geleiras e montanhas, onde seu espectro que percorre minhas entranhas faz morada nos cantos que desvio o olhar. Sobre ele digo muito, escrevo muito e entendo pouco - talvez seja por isso que me esforço - por lançar o falso olhar que insiste em projetar as terras que desconheço.
Eis o preço.
Ser louco para o outro, o insano desatento que busca em si mesmo o alento de não ser compreendido.
É o olhar direcionado ao próprio umbigo.
É o pisar cego em terreno desconhecido.
No sonho sou ele e, o pensamento que insiste em ser ateu rejeita a metafísica do espelho que sou eu.
Sou seu coadjuvante, pois que no paradoxo inexorável da realidade manifestada a máscara se inverte e toma a cabeça da empreitada de sediar a consciência daquele que se julga justo.
Pústula.
E Fístula.
É o que resta da falsidade quando se encarna a maldade de fingir ser aquilo que não se nasceu.
Há perdão para o falso amigo? Há redenção para quem se perdeu? Suplicam os fantasmas que rondam o pleonasmo do guerreiro que se rendeu.
Levanta a cabeça homem!
Tua carne ainda respira e teu coração - despedaçado - ainda bate tímido em teu peito angustiado!
É difícil respirar quando se sufoca em palavras, ditas ou mantidas. Por isso é melhor deixar para os gemidos a inexpressividade daquilo que não se pode comunicar.
Palavra julga e é julgada, como toda ação no mundo da ilusão, vai e volta ao ponto de partida, onde fica mantida a verdadeira intenção.
Maldição.
É para o bem - sempre o bem - dos filhos rebeldes que não reconhecem seu inimigo, chamam-no amigo, e ao ser traído, caem em grande desolação!
Oh paradoxo, quem o entenderá?
Se pelo sentido não fazes entendido, pela razão confundes em emoção e, quando amor, transforma-se em dor, como aceitar teu destino?
Ajudai-me Mestre, que teu filho enlouquece por pensar demais e esquecer da prece...
O inimigo que sou eu olha o amigo e vira as costas.
O amigo que sou eu não entende o seu irmão, pensa ser outro aquilo que não vê em si.
O inimigo e o amigo somos um, que engana-se o tempo todo ao não perdoar as falhas do irmão.
O tempo há de dizer e redimir os erros que não admito que cometi. Há de trazer à tona todo alimento que não digeri.
Serei digno de compreender o mistério deste signo?
O dragão que me acompanha é forte e não se acanha, cospe fogo e voa baixo, réptil infértil, quer a tudo destruir com sua força a consumir.
Nobre guerreiro ainda não morreu, sua espada ele ergueu, vai montar o guardião do tesouro da criação e compreender o mistério colocado neste símbolo encantado!
Sou guerreiro sou dragão.
Sou filho da criação!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Mãe d'água

A água, o argumento
É o começo, o meio e o fim
Estou nela e ela em mim

Navego no astral
Nas santíssimas águas que
A virgem Mãe fez pra mim

O Sol, pensamento
É o alimento
que fecunda a existência

No Ventre sagrado
Amor imaculado
É a Vossa ciência

Graças dou
Oh! Mãe de amor
Por Vossa criação

Lua branca, Véu de prata
Sois bendita, Sois a Graça
A Luz de mais formosa imensidão

Estás dentro e estás fora
Tudo ama
E tudo aflora

Dá o teu pão
Na exata medida
De minha mão

Teu colo sereno
Abranda o veneno
Que pus-me em mim

Dissolve-me as mágoas
E perdoa minhas falhas
Compreendendo os porquês

Salve, Oh Rainha!
Sois a sorte minha
Em tudo que Deus me fez!

Caminhas comigo
Me dando o conforto
De vossa compaixão

Se acaso eu Vos nego
Perdoai-me a fraqueza
De teimoso dragão

Eu agora sou sim
Um filho teu
Mamãe, Mamãe
Dou Graças a Deus