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quarta-feira, 3 de maio de 2023

Narra-dor

Se me lanças tua verdade
Afiada de navalha coesa
Me acertas em cheio
À medida da vaidade

Como identificar tal Maldade,
Se se transveste de justiça?
Usando argumentos infinitos
É possível transformar qualquer crime em Louvor

Se até a palavra de Deus é usada como álibi
E justifica ~quase~ toda maldade humana
O que dirá de meu amor?
A quem serve de narrativa ao Terror...

Na lógica vingativa
A Vingança é divina
Quem pois, se deleita em seu banquete
Um dia terá de pagar a conta
Como todo diabrete...

Histórias criadas servem de desculpa
Pra não se encarar os diversos pontos de vista
Que de um prisma converge na luz
Que ilumina o labirinto mental

Admitir o efeito da mentira
É como se olhar no espelho
Mas em todo caso
O espelho é o outro

Anacronismo e Pleonasmo
São as colunas deste Templo
Que de sagrado sangra o peito
De quem é levado ao seu intento

Podes inventar qualquer desculpa
Só não admites o desejo
Pois ele precisa de uma justificativa
E faz da culpa, seu arejo

Desejo livre não precisa de porquês
Mas, como ~quase~ toda moeda,
Surrupiado por Burguês,
Vira moeda especulada
E escraviza o Camponês.


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Breve parto que aborto

Piso no calo e não me calo
O veneno que destilo é a palavra que falo
E de falos estou farto
Quando o dragão na mente eu parto
Com dores e sangue de quem nasce torto
É o peso morto que carrego no dorso
E em vão me apego com esforço
A hora de abrir mão já chegou
Chegou, passou e cá estou
Não que me agarre ao que está morto
Mas o mistério dos ciclos revisita as imagens
E dessas miragens relembra a casca da ferida aberta
Que é pra me manter alerta
Que se cutuco com vara curta
E exponho a cicatriz
É minha paz que ela furta
E a calma me escapa por um triz
Difícil é aprender o orgulhoso
Que tudo já sabe pomposo
Só não sabe a humildade do vazio
Que preenche por não achar que se é
E apenas sabe sem achar
Tendo a plena certeza da fé
Esvazio esse mal que ressuscito
Breve, em palavras escrito
Antes que cresça e me atormente
Sacrifico este bicho torto em minha mente.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Procura-se emprego

Procura-se emprego
E o apego, esse que deixou
Foi embora e não voltou
Paga-se o preço
Com juros
Cobrado ás juras
De um amor que findou

O juramento sacralizado ás figas
Mascarou quem golpeou
Mas também colocou em evidência
O colóquio da cloaca que excrementa a mistura de um intestino sub-desenvolvido
Mamífero-reptiliano
Suga o sangue dos que procuram emprego - subnutrido

Há de ser ouvido?
O choro do índio sem mão
Ou a fome do menino sem pão
Enquanto os santos rezam
E prezam o que vão levar pro caixão?
As preces-spam que lotam a caixa de entrada dos deuses?

Deleuzes
Pós-modernos
Moldando as ideias dos que escrevem pseudo-poesias
É tanta patifaria
Que não acredito nas palavras que vomito
É a egrégora do pito
Que amortece o sentido
Do coração que luta em vão
A luta dos novos deuses encarnados
Enterrados em sepulcros caiados

Como vive quem nasce morto?
E como morre quem nunca foi vivo?
É na sombra do mito
Que se encontra redenção
Fora do tempo
E do espaço
Fica aqui minha oração
Meu Pai e Minha Mãe

Perdão.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A fragilidade de quem não sabe quem se é


Rasga-se o peito ao meio. A força, que ora puxa pra direita, ora pra esquerda, não vem de fora. Quero sair, mas não quero. Vou e não vou. Sou a minha tese e a minha antítese. Eis o que de fato eu sei: não me conheço. Não consigo dizer de onde vem as motivações que agitam a minha cólera, não sei dizer da pessoa que acho que amo. Não sei dizer se me amo. Não sei se é possível amar sem ser amado.
Se por vezes, aquilo que condeno com os mais altos julgamentos, vem daquele que outrora amei, seja um amigo, um parente ou um amor de longa data...


Engana-se mais uma vez quem acha que os momentos de crise vêm como estímulos de fora. Há tempo: o inferno são os outros - ou melhor, o inferno é minha percepção da percepção dos outros sobre mim. O que no fim, se manifesta assim: Tudo aquilo que não é definido como eu, ou seja, o outro, não passa de uma projeção daquilo que não quero enxergar em mim mesmo.
O inferno são os outros, porque são os outros que me dizem aquilo que não quero aceitar em mim.
O inferno é esse lugar de condenação, onde os dedos apontados como tridentes afiados espetam a carne e a alma, até que o sangue escorra e me faça perceber que esse mesmo inferno existe e sempre existiu dentro de mim.


Se desejo condenar, serei condenado. E essa Lei, acima de qualquer lei humana, acima de qualquer constituição, é verdadeiramente implacável.
O Ser que não sabe quem é. Eis o estado do humano em meio a crise. Eis o guerreiro com a guarda aberta. Eis a sentinela que dorme em seu posto. O golpe é certeiro, não há bloqueio, não há defesa. O golpe que vem de dentro se manifesta como um golpe que vem do outro. É como o inferno.
Mas há também o céu. Esse, que insiste em se manter num sentimento de esperança, num lugar e num momento - ambos são a mesma coisa - caóticos, quase como um sonho...
"E que poder tem o sonho dentro do inferno?" - perguntam-se meus demônios que, quase que instantaneamente, ouvem a resposta: "Mas o que seria do inferno, se os demônios não sonhassem com o céu?"


E esse mesmo sonhar, que acorda o brasileiros num dia 18 de abril, cansados da luta interior que se manifesta como uma aparente luta contra o outro - aquele mesmo que se quer excluir do facebook, que se quer cuspir na cara, que se quer ver preso nas cadeias da corrupção - faz-nos erguer a cabeça pro que vier após uma luta perdida, ou ganha, dependendo da escolha do seu lado nessa guerra contra si mesmo.
A luta está perdida, ou ganha. Ainda há uma guerra a se guerrear.

Sonho, pois, um dia em que guerras já não farão sentido.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Tédio

Lugar-comum
Zona
Local no espaço-tempo regrado por suas próprias leis internas.
A inanição
O sentimento de "não há nada a se fazer"
Enquanto existem todos os outros lugares e não-lugares repletos de oportunidades de vida.
Inferno astral
Frio
Até a espinha
Que paralisa pelo medo de se fazer algo
Paradoxo
A vontade cercada de preguiça
Círculo vicioso
Muralha do ser de fé
Mortal pela falsa sensação de segurança
A não ação não pressupõe liberdade
É seu oposto litúrgico
Entediado
Cativo da ideia-livre
Só ideia
Impedida de se manifestar pela suposição do ser de que só a sua imaginação basta.
Auto-engodo
Roda da fortuna espelhada por dentro
Força a ser expelida e superada pela força do querer
Ambição de vida
Ganância benéfica
Não pelo anseio material
Mas pela vontade do tudo
No Um
Que já não entediado jaz
Ressuscitado.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Solitude

E do alto da montanha
Bem no meio da mata
Em solitude ingrata
O velho sábio proferiu:
A ironia também mata!

Do perdão

Criticava tudo. Verborragicamente intolerante as massas. Massa pra amassar, triturar, cozer... 
Farinhada vinda de um mesmo saco. Tossia ironia e ao pó liquefazia as verdades universais de que tudo morre.
Percebeu, até então, diásporas de todos os cantos da Terra: dispersavam-se mutuamente em guerras inconclusivas.
De nada adiantava o suicídio - voltaria ao pó como cinzas recorrentes que caem de um incêndio florestal. 
Se morria, era pra denunciar o óbvio (que ironicamente já se fazia desde sempre em seu mundo).
Mártires de uma causa perdida.
Ao se encontrar com seu desespero, viu o quão inútil era sua sina. 
Se criticava, era por ver no objeto de sua crítica seu pŕoprio pecado não confessado.
Fez-se sacrílego pelo perdão que nunca alcançou por suas próprias mãos.
Se era pra ser redimido, precisava antes de mais nada, redimir.
Tudo o que se diz, no fundo se é.
Tudo o que desliza em superfície revela, no mínimo, sua distância até o centro gravitacional da alma que flutua num eixo em suspensão virtual.
Encontraria a paz no momento em que conseguisse perdoar seu maior demônio: Ele mesmo.

Sentimento de dentro da fumaça dos acontecimentos

Paixão que obscurece a capacidade humana de simular futuros.
Paixão que compra ódio e levanta bandeiras manchadas com o sangue alheio.
Paixão que transforma opinião em verdade a ser defendida.
Paixão que desfaz amizade de infância.
Paixão que mata.
Paixão que desmata.
Paixão que engessa, paralisa e cativa.
Paixão, irônica, independente de lado: nasce e morre no sujeito apaixonado.



Paixão-política.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Louca-teia

Resolvi por quebrar a lógica. Essa linha torta e relativa que permeia e define a mente alheia. O objetivo é um simples-composto: identificar e superar o espelho da alma. O problema é o preço cobrado pela balança universal nessa reação em cadeia - da qual nenhum bioquímico conseguiu definir as rotas metabólicas - a Loucura.
Tudo o que se disse desta nefasta aranha que desalinha a intrínseca teia mental, por certo não a definiu, nem nunca definirá. E aquele que se propõe a tal, por certo definhará.
Passo necessário para alcançar o próximo nível da evolução humana, ou apenas mais uma mentira que se conta pra si mesmo a fim de massagear e aquietar o ego?
Perguntas sem respostas.
Ao quebrar o espelho, uma sensação: saudade de um futuro aparente, também conhecida como ansiedade desesperada.
E se posso sentir saudade de algo que ainda não aconteceu, como posso ter certeza de que o passado que relembro não é apenas um remendo aracnídeo pulsante de medo?
O medo de nunca ter vivido é maior que o medo da morte. O louco desconfia das projeções de sua mente, ainda sim, segue-as deliberadamente. Eis a sua ansiedade: desconfiar de sua própria existência, esperando ser amanhã, o que não conseguiu ser hoje.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Fico


Tediosamente esperando o vitupério que é enganar a mim mesmo.
É cotidiano. A mentira que me conto. O engodo que me encanto.
Entre simulações e simulacros, a fleuma se encarrega de manter os aparentes pés no chão. Mas não desacredite de tudo o que vê, nem do que se lê. A mentira falaciosa facilmente cai por terra. Isso é um segredo. Guardai-o. Para ser bem aceita, a mentira vem misturada a verdades. De igual forma, para fazer sentido, a verdade se transveste de mentira.
Quem há de perceber a fina linha que separa os mundos ilusórios criados pela mente? Se o que parece real, só o é, por estar atrelado ao irreal?
Este é o dilema: para perceber a verdade, é preciso aceitar a mentira, e o pior, acreditar nela, deliberadamente.
Mentiroso que sou, posso dizer dessa dor? Se visto, sinceramente, a máscara cerada esculpida em pseudo-amor?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Regurgito-me

Sem pensar no que escrever, vomitei.
E do vomito saltaram palavras que não ousei pronunciar.
 Ideias que me reviraram o estômago enquanto as digeria.
Formas-pensamento que me consumiam.
E escarneciam.
Pobre de mim,
Coitado.
Que além de hipócrita e medroso,
Finge ser poesia o que antes não passava de remorso.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Pequeno Parênteses

    - Olhe a cor dos meus olhos. Como estão? - Ele perguntou.

    - Estão verdes, como sempre! Por que? - Ela indagou, curiosa.

    - Pra você estão verdes. Pra mim, estão castanhas. O Olho não é o espelho da alma? Pois então, sua alma consumiu a minha a ponto de eu quase não saber mais quem sou. E meu olho reflete, pra mim, essa nova alma: Você.





Se apaixonar faz bem à alma.



domingo, 2 de junho de 2013

Monocromático

O espectro flutuante dos espelhos me remetem a tons de cinza. As únicas variações que meus olhos alcançam segue um ritmo descompassado e sem graça. Como uma máquina de escrever velha, digito as manchas negras de um coração abatido, ferido. Se cicatrizou, posso apenas conjecturar, fato é, que as coisas perderam seu brilho - por um bom tempo.
Mas é aí que as coisas acontecem. É preciso uma vida monocromática para aprendermos a dar valor a todo o espectro de cores. O arco-íris só é belo pra quem aprende o seu valor, que não pode ser comprado nem adquirido por forças próprias: ele é um presente. E a vida, por mais que a maioria não acredite, costuma presentar aqueles que aprendem isso. Não sou digno, nem fiz por onde merecer mas, por já ter corrido atrás com minhas próprias forças, sei o quão valioso é receber tão linda dádiva.
Ontem, escrevia sobre uma pilha de cinzas. 
Hoje, consigo ver o pote de ouro no final do arco-íris.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Confissões

- Sabe, tenho que confessar. Sou louco. Sério. Eu não falo sozinho, se é o que está pensando. Todo mundo fala sozinho, eu não. Eu travo, sem mexer os lábios, uma conversa mental, com ambiente e tudo. Está lá, eu, numa mesa de escritório com um ar superior de mestre, mas que de certa forma é simpático. Mas não sou eu, é esse outro.  Ele fica o tempo todo lá, mas só fala quando quer. E eu ouço e aprendo. É assim mesmo: ele fala, eu ouço, e aprendo o que ele acaba de me ensinar. Balanço a cabeça, literalmente, quando ando na rua, em sinal afirmativo. Logo após, assimilo a ideia contida na conversa.
É a primeira vez que escrevo isso, assim, bem explicado. 

- Parabéns pela iniciativa! É um bom começo para aceitar o fato! Mas não precisava ter me incluído na narrativa!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Lua

Maldita Lua
Que de cima
Traz alma tua
E banha minha sina

Num banho, nua
Despe-me a calma
Reluze crua
Forja-me casa

Arrebata-me
Junto aos céus
Mata-me
Rasgue o véu

Ilumine a noite
Afasta escuridão
Me traz à corte
Abre meu coração.

Bendita Lua.


Noite bela
De esperança.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

A Verdade.

"Todos nós temos um anjo. Um guardião que zela por nós. Nunca sabemos a forma que vão tomar. Num dia, um velho, no outro, uma garotinha. Mas não se deixe enganar pela aparências: podem ser ferozes como qualquer dragão. Mas não estão aqui para travar nossas batalhas, mas para falar suavemente aos nossos corações, nos lembrando de que somos  nós.
Cada um de nós mantém o controle do mundo que criamos. Podemos negar que nossos anjos existem, convencer-nos de que não podem ser reais. Seja como for, eles aparecem. Em lugares estranhos e de formas estranhas. Podem nos falar através de qualquer personagem. Gritam através de demônios se for preciso. Nos confrontam, e nos desafiam a lutar."
Sucker Punch

No dia que comemoramos a trapaça, as brincadeiras e tudo aquilo que simula a verdade, eu realmente gostaria de ver que tudo não passou de uma grande mentira. Mas não. Fui convocado, junto com todos vocês, a lutar. Pela liberdade. Pela vida. Pelo amor. E pela verdade.
Podemos não ser donos do nosso destino. Mas ele certamente depende de nós para se fazer existir.
Lute, pois o tempo é chamado Hoje.
E o amanhã será de Paz.


1° de abril de 2013.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Tem dias...

Sabe aquela sensação de tristeza sem motivo que surge do nada? Tem dias que ela aparece maior, mais forte e, logo depois, vai embora, se esconde. Mas há outros, em que ela parece ter sumido, aí basta uma centelha que ela volta! Alguns podem até negar sua existência, mas eu tenho quase certeza de que todos a conhecem,só não sabem explicá-la.
Fato é, que ela nos força a ser humanos. Ela nos tira do pedestal da arrogância de achar que somos donos de alguma coisa, que comandamos nossa vida como bem quisermos. É graças a ela,  que ainda não ultrapassamos a linha divisória, que ainda não nos tornamos super-humanos.  Mas também é graças a ela, que somos passível de salvação. Ela nos coloca de frente para o espelho da alma. E nos vemos, nus e crus, como viemos ao mundo.
Mas tem dias que não queremos saber dela e, com o passar do tempo, até aprendemos a controlá-la. Sabe o que acontece? Deixamos de ser humanos. Matamos a sensibilidade à dor do próximo, porque não mais sentimos a nossa. Isso é perigoso. Dizem que quem consegue fazer isso, vende a alma ao diabo, mesmo que não saiba.
Tem dias que eu a sinto, aqui dentro, e dói. Não sei discernir a causa de seu aparecimento, mas a sinto. Acho que se fosse buscar em toda profundidade da minha alma, descobriria que ela nasceu junto comigo, agarrada ao meu tornozelo, como um Jacó invejoso da minha alegria. Ela não deve ser morta, mas também não deve ser a dona de mim. Só rezo pra que me seja dada a graça de acordar feliz amanhã.


Tem dias que a gente acorda tão bem...

Mas hoje não é esse dia.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Dor de parto

Embora fôssemos um
Mostrava-mo-nos aos pares
Nos bares,
Em lugar nenhum...

Agora fico eu,
Parte de mim
Não bastasse um adeus
Quis o fim

De uma gestação complicada
Tu, que me consumia
Que me escarnecia

A dor que sinto
É dor de alívio
É dor de parto

E parto-me
De ti
Pra mim.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Versões

Dizem que anda por aí

Uma versão de mim

Um cara pior, mirim
Que pra mim, melhor seria eu
                           Enfim...

Versão andante
              Ambulante

Sem pé nem cabeça
Voa sem asas
        Dorme no chão

Dizem que sou assim
Mas não!
É essa versão de mim!

Não se enganem,
                                 outro Eu só existe
Em fazer de mim
                                  um ser triste...



 "A verdade é singular.
Suas versões, mal-entendidos."

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O poder da contra-informação - um desabafo de fé

Dia 03/02/2013 rolou uma entrevista em rede nacional com o famigerado Malafaia no "De frente com Gabi".  Não preciso dizer dos montantes de comentários tecidos à respeito, tanto por parte dos defensores do indefensável, quanto daqueles que se sentiram ofendidos por suas argumentações que beiram ao ridículo (sim, faço parte desse segundo grupo por sentir que minha capacidade intelectual foi desprezada e jogada no esgoto com as frases célebres do magnata evangélico).
Quem me conhece sabe que tenho Cristo como centro de tudo e que também, cresci em uma Assembléia de Deus. Mas, infelizmente tive de romper com esse "movimentosinho evangélico brasileiro" por causa da quantidade absurda de coisas que definitivamente não são o Evangelho e que apagam o verdadeiro sentido que Cristo veio dar aos homens (amor).
De fato, o budismo, por exemplo, está muito mais próximo de Cristo que o cristianismo.

Aos amigos que leem aqui de vez em quando e que, assim como eu, se sentem ofendidos por um cara como esse, eu repito: ISSO NÃO É EVANGELHO.
Infelizmente o nome "evangelho" já está manchado há muitos séculos e o de Cristo, já nem serve quase que para chamá-lo. Eu não sei outro nome para designar a BOA NOVA que Ele nos trouxe, se assim o soubesse, com certeza usaria.

Pois bem, escrevo esse texto porque não aguento mais. O sapo que me tentam enfiar goela abaixo (tanto pelos amigos "crentes", quanto pelas besterias "em nome de Deus" que ouço por aí) é grande demais. Entalou e agora, preciso vomitá-lo. Me desculpem os que se sentirem ofendidos por esse texto, realmente não é minha intenção atingir a fé de vocês, MAS, se a fé de vocês for atingida por isso, infelizmente, ela não é a fé em Cristo.
Sabem aquele episódio, narrado nos evangelhos - que ironicamente, são utilizados como argumentação barata para falcatruas - de quando Jesus entra no templo e sai quebrando tudo porque não aguenta mais ver o que se faz no nome dEle????
É, bem esse o meu sentimento hoje. Não só o meu, mais o de tantos que tentam e se esforçam para seguir no caminho ensinado por Ele: o caminho da graça e do amor.
"Em nome de Deus". Esse é o argumento mais antigo e utilizado para se gerar guerras desde sempre. E se Darwin disse que evoluímos, lamento perceber que não.
O que se prega "em nome de Jesus" definitivamente não é o que Jesus pregava. Isso acaba gerando um mal-entendido tanto por aqueles que não conhecem a Ele, quanto pelos que se dizem seguidores dEle. É o poder da CONTRA-INFORMAÇÃO. E sinceramente, se o diabo existe, ele está aí. Tanto o é, que, segundo a própria bíblia, ele veio para matar, roubar e destruir. Ou seja, gerar guerras.

O povo gospel adora um herói. Talvez por uma síndrome de inferioridade, ou pela falsa humildade, necessitam sempre de um novo Messias que compre a briga do "povo perseguido". Eis aí mais um herói: Malafaia: defensor da sã doutrina e dos valores cristãos. Pera aí, mas esse cara vive atacando as pessoas! O que isso gera? Guerra. Guerra entre: 
Evangélicos x Ateus;
Evangélicos x Gays;
Evangélicos x Cientistas;
Evangélicos que não pensam x Evangélicos que pensam;
Evangélicos x Espíritas;
Evangélicos x Muçulmanos;
Evangélicos x Católicos;
Etc...
Quem veio para gerar guerras, segundo a própria bíblia?

"Ah, mas ele só está defendendo a moral cristã!"
Defendendo? Cristo alguma vez se defendeu de alguma coisa?????
Quando um de seus discípulos foi defender Jesus, o Próprio o repreendeu e quando disse que o seguiria até a morte, foi-lhe dito que o negaria antes que o galo cantasse 3 vezes!
Meus amigos, o verdadeiro Evangelho não precisa se defender de nada, muito menos de defensores. Parem com essa neurose ridícula de ovacionar e comprar a briga de pastores! Isso é idiota! Me sinto envergonhado de conhecer gente assim, sério. E não tenho medo de dizer: TENHO VERGONHA DESSE EVANGELHO! que de evangelho só tem o nome mesmo.
Já cansei de escrever, talvez eu volte uma outra hora. E faço as minhas, as palavras de Gabi: "Que o meu Deus, que não sei se é o mesmo que o seu, lhe perdoe."

Que Ele nos perdoe.

Lucas.