Mostrando postagens com marcador Paralelos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paralelos. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de março de 2017

8 de ouros

O que sinto, deveras sente
No oposto aparente
Da rota das emoções
Raiva e desprezo açoitam
Pelo olhar de nojo que lanças
Ao néscio em suas andanças
Que nunca digno, cai pífio
Em si mesmo

Corre mais que as pernas
O tolo desajeitado que se crê sábio
E come as mazelas do amor
Que retorna
Não como espera
Mas como merece
Restando-lhe a prece
Que ensina o que se rejeitou

Serás humilde daqui em diante
Ou sofrerás, doravante
Caso o orgulho não se abrande
Levanta e estanque
A ferida cicatriz
Que escapa por um triz
E escorre no palhaço
Do seu nariz

Firmai a intenção, coração
De ser melhor que outrora
Respira o ar que revigora
No alvorecer de uma nova Aurora!
Não esqueça ou enlouqueça
Que o que existe e sempre existiu
Não importa o que te aconteça
Serás sempre o eterno agora!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

O salto de fé: o mergulho profundo


Tem que ser de cabeça, até porque, a mãe de todas as cabeças exige entrega completa. Não adianta molhar os pés no raso, quem tem medo do mar nunca poderá chegar ao oeste...
E é do outro lado que nos aguarda o novo mundo. Circundando esse globo de ilusão, é no centro de seu coração que se encontra a redenção. A gravidade puxa, a lei é certeira: nos leva de volta às origens e, por estas vertigens alcançamos um novo caminho. Os seres do mar nos chama e conclama a desbravar suas profundidades - é lá que se esconde os segredos! - é preciso coragem para ir aos confins da origem das idades.

Atlântida ou Lemúria? Pouco importa a nomenclatura, se num momento de fúria destruímos sua memória, como despertar toda sua glória? A fé é o segredo, é o caminho e é o método que nos mostra a direção.
Mergulhar na imensidão, não temer o desconhecido, enfrentar o Leviatã com a certeza da vitória garantida por um amor de mãe que tem o controle de tudo e sabe domar o dragão...
Não é a toa que o mar nos chama, é só começar a entrar que se sente a corrente em nossos pés. O canto de sereia faz melodia em todos os ouvidos, surdo é aquele que não segue seus sentidos, e pensa com a razão, se tratar de ilusão.
Lógica nefasta e agourenta não acompanha o ritmo das águas lentas, acelera o pensamento e desvia seu argumento da sincronia da manifestação.
Marinheiro tem que respeitar, tem que ser humilde pra navegar. Arrogância é irmã da ganância e onde há motim, há morte e miséria e por mais que o mar seja o fim, numa orla espera um novo começo. Marujo bom sobrevive à tempestade, e no fundo sabe que depois de toda batalha no mar, espera-lhe a felicidade da calmaria de Maria.

São muitas ondas a se cruzar, são muitos mares a navegar, nos espera ansioso o porto final, é nossa casa, afinal!
Sigamos, marujos!



domingo, 15 de fevereiro de 2015

A pele

Pele morta
Morta pela massa
Massa fresca
Podre pelo bolor
Bolo de fel
Feito mel
O que é meu
O que é teu
Coração ateu
Alma racional
Egoísmo banal
O mal

A pele descasca
Da casca mortal
A carne renasce
P`rum novo carnaval

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Deslizar na realidade

Entre o céu e a terra, há um horizonte. Entre a imensidão da atmosfera e a profundidade dos mares há uma superfície em tensão que provoca ondas e oscilações. De igual forma, entre o nascimento e a morte, há a vida. Se assim for, podemos enxergá-la, dentre tantos pontos de vista, em termos de eficiência. Vivamos parcimoniosamente, com eficiência, escolhendo as melhores embarcações disponíveis para navegarmos nos mares da realidade. Afinal de contas, o fluxo das marés coexistem numa esfera, e levam, ao mesmo tempo, à todos e à lugar nenhum.

domingo, 29 de dezembro de 2013

As muralhas Circulares

- Pois bem, agora que entendes que podemos perceber de várias formas a realidade, e assim, interpretá-la de diversas formas, posso passar pra tese oficial.
- Sim, atá agora não vi novidade, eu apenas não compreendia como isso podia existir.

Era de fato, um ouvinte anestesiado pelos discursos da realidade padrão.

- Não lhe garanto que essa versão minha é inédita, não o poderia dizer. Mas de fato, a geri numa dessas meditações espontâneas. A partir dela, proponho uma estrutura para essas realidades. Imaginemo-a como um vasto plano, ou se quiserdes, como a própria terra. Nós, homens, em nossa vaidade e medo, construímos muralhas circulares, formando camadas no solo. Pense numa pedra que fora jogada num lago, as ondas se propagam formando círculos na água, esses círculos representam as muralhas. Assim se parecem as nossas percepções da realidade. A princípio, pensei apenas em três muralhas. A primeira, mais profunda, chamarei intra-realidade, a do meio, apenas realidade, e a última, hiper-realidade. Vivemos a maior parte do tempo nas duas primeiras. A área realidade, compreende à nossa lucidez e vivemo-la quando acordados. A intra-realidade se dá quando reunimos o nosso contingente de pensamento na área da primeira muralha, isso acontece no sono. Certas pessoas, conseguem acessar a terceira muralham e funcionam como exploradores da terra. A hiper-realidade, experimentam, talvez, os loucos, os sensitivos, os paranormais, os feiticeiros, os profetas... Dela não sei lhe dizer muito, percebo que apenas falar que ela existe já demanda um certo esforço. Há ainda, a possibilidade de viver NA muralha, e assim, olhar para as duas áreas e juntar percepções de ambas de uma só vez. Chamarei essas áreas de inter-realidades Por exemplo: entre o área da intra-realidade e o da realidade, encontramos o divã. Que nada  mais é, que uma possibilidade de se estar entre o sono e a vigília. Entre a realidade e a hiper-realidade, podemos encontrar os ritos e os estados alterados de consciência. Há ainda, uma classe que pode estar em ambas as inter-realidades: os loucos e a meditação. Com uma diferença, a meditação acessa essas áreas com consciência.

Parou por um minuto, enquanto seu ouvinte reunia a estrutura em sua mente. Seu olhar de interesse, logo se manifestou pela sua boca. O que não sabia, era que aquele era um jovem raro. Apenas um diálogo era o suficiente para lhe abrir as portas da imaginação.

- De fato, deveras interessante essa leitura. Creio conseguir pensar em alguns detalhes a mais.

- Por favor! Comente-os! 

Sua alegria logo se lhe estampou a face. Encontrara uma alma disposta a pensar.

- Os sonhos premonitórios. Ficaria ao mesmo tempo entre a primeira e a terceira muralha, como poderia ser?

- Não sabia que gostavas de preparar armadilhas! Creio não poder responder sua pergunta. De fato, os sonhos premonitórios têm essa característica.

- Foi uma pergunta retórica. 

Seu rosto adquiriu aspectos de vitória. Gostava de sentir que ganhara de se seu futuro mestre, mesmo que apenas num exemplo.

- Pombos-correio! - Respondeu com graça. E gerou risos no outro. - Sério! Imagine que eles transportam mensagens da terceira muralha, enquanto estamos descansando nos terrenos da primeira. Assim, funcionariam como Hermes, transmitindo mensagens da hiper-realidade pra intra-realidade.

- Nos daremos muito bem juntos garoto! - Disse o mestre, agradecido aos céus, por terem mandando tão habilidoso mensageiro.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Luas e Estrelas

Havia uns 5 anos desde a última vez que o encontrei. Costumava encenar algumas peças escritas por ele quando éramos mais íntimos, antes do seu último casamento. A mulher havia deixado apenas uma pequena quitinete onde agora nos encontrávamos. Um café morno fazia esforço pra esquentar minhas mãos, enquanto lutava comigo mesmo para ser mais cordial com meu velho amigo.
"É uma metáfora!" - Nem precisava me dizer, sempre era uma metáfora.
"Mas é sobre o que exatamente?" - perguntei meio entendiado.
"É sobre relacionamentos. A história fala de luas e estrelas. É mais um esboço de uma ideia antiga, sobre narrativas estarem escritas no céu, apenas esperando a nossa leitura tímida." - Era bom vê-lo falar de romantismo depois do acontecido.
Como não falei mais nada, continuou.
"Podemos comparar os relacionamentos humanos apenas olhando pras estrelas e luas."
"Como assim?" - indaguei, querendo mostrar interesse, apesar do café ser mais digno de minha atenção.
 "A estrela tem luz própria. A lua não. Ela apenas reflete a luz da estrela, certo? É como nós! Olhe a sua volta: existem aqueles que vivem em função do outro, depende do amor dele e só reflete aquilo de volta. Ele não ama por si só, apenas copia, mas não percebe. Quando descobre suas próprias intenções, ou quando se decepciona, a cópia do amor morre - não tem luz própria.
"Certo, mas então, como amar do jeito certo? Nós só temos um sol e uma lua, um sempre terá que ser a fonte de luz do outro."
"Quem disse? Você está pensando só no nosso sistema! E não me impressiona sempre pensarmos NESSE sistema. Existem estrelas gêmeas, onde as duas vivem em harmonia em um único sistema. As duas têm luz própria e ambas são afetadas pela gravidade gerada pela outra."
"Mas essa metáfora não é novidade! A ideia de alma gêmea é uma das mais velhas que existem!"
"Pode ser, mas o que seria alma gêmea? Duas pessoas que nasceram uma pra outra? Não é disso que to falando. Falo de almas que têm luz própria e se deixam afetar pelo centro gravitacional de outra. ISSO é o que, em termos de alma, chamamos de gêmeo."

Parei de discutir. Não havia o que falar. Depois do que passou, estar tão obstinado com tal ideia poderia significar a salvação de sua alma, que após a supernova do seu coração, formou um buraco negro com o que restou de seu núcleo.

domingo, 11 de agosto de 2013

Alquimia, Universo e Salvação

"Não existe almoço grátis!" - Começa meu professor de bioquímica em sua aula sobre Termodinâmica. Tudo tem seu preço. Desde o seu almoço até uma "simples" reação química. Tudo depende e gasta Energia. Esse é o preço cobrado pelo Universo.
Os alquimistas já sabiam disso na idade média. Com sua já rebuscada filosofia, conceberam uma ideia, mais especificamente na forma de um objeto, que seria capaz de contornar o preço cobrado para se realizar qualquer coisa. Deram um nome a essa ideia/objeto: Pedra Filosofal.
A pedra filosofal não é uma busca apenas dos alquimistas. É a busca da humanidade. Essa raça, estranha, capaz de pensar além do que se vê. Capaz de construir e destruir o mundo. Capaz, sempre um potencial, sempre um possível. E é exatamente por isso, que conseguimos pensar em algo que saia do sistema monetário do universo. "Porque é possível" - grita a nossa alma desde o início dos tempos.
Tudo sempre girou nessa questão fundamental: Como vencer o Universo?
O marketing parece que aprendeu a lição. O que mais querem os humanos, senão aquilo que é de graça?
"De graça até injeção na testa!" - já dizia meu tio-avô sem saber que por trás dessa simples frase se residia um dos mistérios da vida. E é disso que escrevo. Daquilo que é de graça: A própria Graça! Encarnada num riso de uma criança que, simplesmente, achou graça do palhaço ou estampado no olhar de um pai que recebe um presente de seu filho.
De fato, só existe uma única coisa que é realmente de Graça nesse universo: a Salvação. Que outra coisa seria? Senão aquilo que nos livra de ter que pagar a fiança?
A única coisa que nos salva de ter que pagar a lei máxima do universo, da física, da termodinâmica, que foge a lei da ação-reação, que não obedece gravidade, que é a pedra filosofal, que é a busca eterna do homem é justamente de graça. E que outra palavra pra descrevê-la, senão Graça?



Já dizia The Cranberries: Salvation is Free!

terça-feira, 7 de maio de 2013

A Biblioteca de Babel

Borges, em La biblioteca de Babel (Ficciones, 1944), flerta com a ideia de que a torre de Babel, na verdade, seria uma enorme biblioteca que contém todas as informações e possibilidades do universo e da mente humana - uma concatenação de tudo -, e que o ser capaz de decifrar todos os volumes de todos os livros contidos nessa biblioteca seria, na verdade, o Deus.
A narrativa bíblica, por sua vez, conta que os homens antigos resolveram construir uma enorme torre que tocasse os céus, que chegasse às nuvens, e fizesse do homem, um ser inefável. Essa torre, fruto megalomaníaco da mente coletiva humana, seria a intenção de aprisionar Deus em uma obra feita pelos homens, ou seja, o entendimento teológico pleno, uma "kabbalah perfeita" que contém todos os mistérios do universo.
Não vejo porque não entender as duas visões, a bíblica e a de Borges, como sendo entonações diferentes para uma mesma metáfora. Para mim, claramente, dizem da mesma coisa.
Mais o mais interessante disso é a sua analogia contemporânea: no nosso tempo, o homem, em sua megalomania de conquistar a Verdade, resolve construir uma enorme biblioteca de conhecimento, que abrange todas as conquistas da inteligência em um único local que, ironicamente, chamamos de nuvem. Ainda tem aqueles que brincam como a ideia nem tão inocente, de que o Google seria Deus.
A grande falácia, talvez, seja pensar que tudo isso é novidade.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A Horta

   Conta-se a história de um fazendeiro que resolveu cultivar um tipo estranho de hortaliças. Desenvolveu técnicas de manuseio e ganhou fama na pequena cidade em que morava. Diz, alguns, que suas hortaliças se perderam com o tempo, outros, que se misturaram por aí, entre todas as outras. Mas de todas as especulações, sabe-se, com certeza, apenas essa: ele cultivava estereótipos.
   Várias eram as espécies dessa estranha hortaliça e, o fazendeiro as separava para não se misturarem. De um lado, tínhamos estereótipos políticos, de outro, amorosos. Lá mais adiante, encontrávamos os de amizade e os de tribos. Dizem que sua fazenda era tão grande quanto o número de espécies de estereótipos existentes no mundo.
   Eram irrigados a suco de espada, conduzidos por veias e artérias que cortavam o chão, formando um imenso emaranhado vermelho.
  Vendia a quem interessasse. "Mas saiba", sempre dizia, "uma vez ingerido o estereótipo, nunca mais o deixará". O que ninguém sabia, é que com o tempo, o estereótipo viciava, e deixava o consumidor engessado à ideia que a hortaliça transmitia.
   Com o tempo, foi ganhando fama e dinheiro, sempre vendendo seus estereótipos. O fazendeiro ficou tão viciado em seu próprio produto que, conta-se, um dia enquanto cuidava de sua horta, seu coração pulou da boca e se plantou junto à eles. O fazendeiro morreu, ali mesmo, e nunca mais se ouviu falar de sua fazenda.
   A partir de então, o coração do fazendeiro, irrigado pelo suco de espada, se multiplicou e passou a procurar um novo dono, que carregue dentro de si, essa paixão pelos estereótipos.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

A Verdade.

"Todos nós temos um anjo. Um guardião que zela por nós. Nunca sabemos a forma que vão tomar. Num dia, um velho, no outro, uma garotinha. Mas não se deixe enganar pela aparências: podem ser ferozes como qualquer dragão. Mas não estão aqui para travar nossas batalhas, mas para falar suavemente aos nossos corações, nos lembrando de que somos  nós.
Cada um de nós mantém o controle do mundo que criamos. Podemos negar que nossos anjos existem, convencer-nos de que não podem ser reais. Seja como for, eles aparecem. Em lugares estranhos e de formas estranhas. Podem nos falar através de qualquer personagem. Gritam através de demônios se for preciso. Nos confrontam, e nos desafiam a lutar."
Sucker Punch

No dia que comemoramos a trapaça, as brincadeiras e tudo aquilo que simula a verdade, eu realmente gostaria de ver que tudo não passou de uma grande mentira. Mas não. Fui convocado, junto com todos vocês, a lutar. Pela liberdade. Pela vida. Pelo amor. E pela verdade.
Podemos não ser donos do nosso destino. Mas ele certamente depende de nós para se fazer existir.
Lute, pois o tempo é chamado Hoje.
E o amanhã será de Paz.


1° de abril de 2013.

quarta-feira, 6 de março de 2013

O poder da dissimulação/simulação - uma história de figueiras


Dissimular é uma arte. Acho que até mais difícil de se dominar do que a Simulação. Nesta, você deve aprender a fingir uma coisa que não é, na outra, deve aprender a esconder aquilo que é. Ambas podem ser usadas positiva ou negativamente, tudo depende da intenção de quem as pratica. Posso citar vários exemplos para isso, mas vou apenas me concentrar na dissimulação.
Todos pensam mal dela, afinal, é uma arte bem conhecida das víboras e raposas. Concordo. Uma pessoa dissimulada é aquela que consegue fingir sua real intenção e enganar os que estão a sua volta. Essa é a faceta má da dissimulação, e é utilizada com maestria por políticos, líderes religiosos, mídia, etc.

Na verdade, o conceito de dissimulação está um pouco distorcido e é facilmente confundido com a simulação. Até no dicionário da língua portuguesa encontramos essa falácia.
"O que é uma pessoa dissimulada?" - Alguém perguntou. 
"É uma pessoa que se finge de inocente para se dar bem" - Responderam.
Ora, esse exemplo é o de uma pessoa simulada, e não dissimulada! Ela finge ser algo que não é, isso é uma simulação! A dissimulação esconde aquilo que é, sem mostrar algo a mais!
Ok, concordo que ficou confuso. Vamos aos exemplos!
Líderes Religiosos! Como gosto de falar deles! rs
São "raça de víboras", "hipócritas", "filhos da perdição" - Palavras do próprio Cristo, que eles dizem seguir!
Todos pensam que eles são dissimulados. Concordo, mas não apenas isso! Se fosse só a dissimulação, até que tava bom, mas os caras dominam a arte da simulação. Fingem algo que não são, prometem o que não comprem, etc. Ou seja, te vendem o peixe estragado deles te convencendo de que está bom.
Como gosto de usar exemplos do próprio Cristo, vou continuar com esse: O da figueira seca.

Essa passagem, muito conhecida, retrata uma situação que a princípio, parece ser contraditória com a pessoa de Jesus. Ao encontrar uma figueira, cheia de folhas, Jesus percebe que ela não tem frutos e a amaldiçoa. Ora, Cristo amaldiçoando só porque a figueira não dá frutos? Vamos aos detalhes:
- A época que isso aconteceu, não era época de frutos.
- A figueira é uma árvore que fica 'pelada' fora da época de frutificação.

- A figueira em questão, estava coberta de folhas, mas não tinha frutos.
O que a figueira em questão estava fazendo ao se cobrir de folhas, mas sem frutos? Estava SIMULANDO algo que não tinha. Por isso Cristo a amaldiçoou. As outras figueiras eram 'humildes' e estavam secas, reconhecendo sua época de não-frutificação.

Outro exemplo:
"Aquele que se humilhar será exaltado" - Disse Jesus. Esse é o que dissimula. Aquele que mesmo sendo alguma coisa, se rebaixa, se humilha, ao contrário da figueira amaldiçoada.

Foi só uma breve reflexão sobre essa arte muito explorada nos dias de hoje. Não simule. Não finja. Não diga que faz, se não faz. Antes, se rebaixe e, mesmo sabendo alguma coisa que prejudique alguém, cale a boca. Aprenda a arte da dissimulação.

Dissimule. Ninguém quer saber o que você não é.

Da série paralelos: formas diferentes de se dizer a mesma coisa.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Sinédoque

Existe pecado maior
Que reduzir as coisas?
Diminuí-las
E portanto, fazê-las pior?

Oh, figura amaldiçoada
Se ficasse apenas nas letras
Terias tua bênção garantida
Mas metida que só tu,
Quis o mundo inteiro!

Contaminou o conhecimento
Cauterizou a sabedoria
Engessou o verdadeiro progresso
Com teu cimento perverso!

Quem te usa mal sabe de teu poder
Abusa da sorte,
E da morte
Faz teu querer!

Qual pecado maior,
Se é que existe medida,
Se não o teu?

Que de um todo reduz a metades
E da metade chama de todo
E a todos transforma em tolos
Ao acreditar em meias-verdades!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Da arte de cagar

Mesmo viajando meus devaneios não me deixam em paz! Cidade linda essa tal de Fortaleza, pessoas excelentes esses cearenses! Ainda sim, sofia encontra espaço para falar - e como fala! - antes de dormir na noite anterior, agraciou-me com mais pensamentos. Ei-los.

Disse outro Lucas sobre o assunto a algum tempo atrás, e me recordei dele ao pensar quase o mesmo. Essa é uma arte realmente curiosa. Quase sempre em rodas de amigos, o assunto entra em cocô. Piadas sobre o mesmo. Maneiras diferentes de se cagar. Técnicas eficazes para se soltar em "locais públicos". São infinitos os assuntos que rodeiam o pequeno marrom. Mas quero realmente ir a fundo nisso hoje - na verdade fui ontem, mas só na cabeça.
Fato é, que encaramos a coisa de várias formas ao longo da vida, e cada um, de seu próprio jeito. O paralelo que pretendo traçar, é justamente esse, o de encarar as merdas que fazemos na vida, assim como encaramos a merda que fazemos no vazo.
Crianças têm um jeito peculiar de encarar seus dejetos. No começo, usam fraldas: fazem a qualquer hora e em qualquer lugar - depende dos pais cuidarem para que a coisa seja descartada corretamente. A medida que crescem e amadurecem, aprender a fazer sozinhas no vazo, mas ainda sim, chamam a mãe para limpar e ainda se despedem da obra-de-arte recém criada. Mais tarde, já se limpam sozinhas e, dependendo dos hábitos da família, aprendem a dar descarga corretamente (com a tampa abaixada) ou não. 
Ao estabelecer seu método preferido de se limpar e fazer (lendo, jogando, na internet...), o individuo está apto a fazer do cagar, uma arte ou um desgosto. Pois bem, o que isso tem a ver com a vida, meu Deus?

Fazemos merda. E isso é um fato que ninguém pode negar, pois ninguém é perfeito. Erramos, sim. Nos arrependemos, às vezes... Mas de certa forma, aprendemos a lidar com o fato (ou não). Tracemos os paralelos:
Tem gente que vive fazendo - Como o recém-nascido, que usa fraldas;
Tem gente que faz merda e depende dos outros para limpá-la - Como a criança que depende da mãe;
Tem gente que finge que não faz, mas faz, e fede - Como pensamos as vezes de modelos, pessoas perfeitas que não cagam;
Tem gente que bota a culpa nos outros - E ainda diz que não ta sentindo cheiro nenhum!
Tem gente que insiste em criar um sentimento com a besteira que fez - Como a criança que dá tchauzinho;
Tem gente que não aprendeu a minimizar o efeito, e acaba piorando a situação - Como quem não abaixa a tampa e espalha partículas pelo banheiro;
Tem gente que só faz escondido - Como quem só consegue fazer em casa;
Tem gente que sempre arranja uma desculpa lógica pra merda que fez - Como quem faz lendo;
Enfim, existem muitos paralelos sobre o assunto que, como já disse, é sempre infinito.
E aí é que está. Será que devemos encarar as besteiras que fazemos na vida como um simples cocô que vai pelo ralo? Esse mesmo dejeto fará parte de um enorme esgoto que carregamos pro resto da vida se não aprendermos a lidar com o fato higienicamente. Não adianta querer depender sempre de outra pessoa para limpar aquilo que você fez ou então, querer esconder: o cheiro condena.
Que aprendamos conosco os pormenores da vida. Como um simples ato fisiológico pode nos ensinar a lidar com os problemas que causamos!
Termino aqui esse devaneio deveras fedorento. Que possamos dar a descarga, abaixar a tampa, e a cuidar do esgoto que causamos.

Fortaleza -13/02/2013

Da série Paralelos: formas diferentes de se dizer a mesma coisa.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Versões

Dizem que anda por aí

Uma versão de mim

Um cara pior, mirim
Que pra mim, melhor seria eu
                           Enfim...

Versão andante
              Ambulante

Sem pé nem cabeça
Voa sem asas
        Dorme no chão

Dizem que sou assim
Mas não!
É essa versão de mim!

Não se enganem,
                                 outro Eu só existe
Em fazer de mim
                                  um ser triste...



 "A verdade é singular.
Suas versões, mal-entendidos."

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

De chaves e Crescimento

É engraçado como a nossa perspectiva das coisas mudam com o passar dos anos. Ontem voltando pra casa, lembrei-me de algo que sempre pensava quando criança. Já tinha me esquecido desse tipo de coisa mas, de súbito, sofia resolveu me lembrar. 
Foi na hora de abrir o portão de casa. No mesmo dia, mais cedo, pude fazer uma cópia da chave da minha sala do laboratório; acho que esse fato não passou desapercebido à sofia, por isso, resolver me presentear com lembranças do passado. E era exatamente sobre isso: poder ter sua própria chave!
Quando era criança- lá pelo meu sexto ano de vida - eu olhava para meus pais e pessoas mais velhas abrindo portas e pensava: "vou amar o dia em que poderei ter minha própria chave!" ou ainda: "Poderei ter o controle da minha casa, poderei entrar a qualquer hora que quiser e não dependerei de alguém para fazer isso pra mim!". Voltando ao passado pude perceber coisas intrigantes. Creio não ser a única criança que pensa esse tipo de coisa, até porque, crianças adoram brincar com o molho de chaves dos pais.Era bem válido meu pensamento, era uma anseio pelo poder, pelo controle. E uma chave não é nada mais que isso: o controle de algo que lhe é caro: uma casa, um carro, um baú de tesouros, um diário...
Eu pensava apenas em poder abrir as coisas, mas me esquecia de seu correspondente não menos importante: fechar as coisas. Ter uma chave em mãos não significa apenas que se tem o poder de abrir, mas também, a responsabilidade de fechar. Ao almejar algo novo, seja um cargo na empresa, uma posição no governo, uma namorada, uma casa ou uma chave, sempre pensamos apenas em conseguir, em ter o poder sobre essas coisas, em abrir possibilidades, mas nos esquecemos que devemos aprender a fechar também. É a famosa frase de Tio Ben: "Grandes poderes, carregam grandes responsabilidades". Insistimos em dar uma de homem-aranha - que por coincidência, não costuma usar chaves - e sempre pagamos o preço: um ladrão invade nossa casa, a corrupção invade nosso cargo, a falta de amor invade nosso companheiro(a) ou um pirata saqueia nosso tesouro.
Acho que essa é uma das muitas coisas que nos separam da infantilidade da maturidade: Poder abrir, mas saber também fechar. Pois onde está nosso tesouro, aí também está nosso coração. Portanto, devemos ter o cuidado com o poder que uma chave carrega.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Paralelos

"Pois em parte conhecemos"


Tento começar uma coisa nova aqui no blog. Tata-se de comparações. Links entre ideias e nomes que muitos povos de culturas diferentes para denominar, ao que me parece, a mesma coisa.

Começo com essa, que pra mim, representa toda a ordem do Universo, A Lei Natural das coisas, explorada por Darwin em sua Teoria da Evolução.

Vejamos:
A Lei nos diz que o fraco é a carne que o mais forte come, a lei do mais forte, que se manifesta em toda natureza. É sempre assim e nela, natureza, nada se cria, mas tudo se transforma.

O que entendo disso, me parece ser o mesmo que Salomão entendeu ao dizer: "Nada é novo debaixo do sol". Logo, temos nossa primeira comparação:

Nada se cria, tudo se transforma = Nada novo debaixo do sol.

Cristo disse algo parecido, que nós entendemos como lei da semeadura, o famoso: Aqui se faz, aqui se paga.
Ou até mesmo, Ação <=> reação.

Nietzsche nos deu algo parecido: Eterno Retorno.

Os espiritualistas também, com a ideia da reencarnação: a Lei do Karma.

Qual é o problema de entender tudo isso como uma coisa só? Pra mim, são apenas formas diferentes de se dizer a mesma coisa - claro que salvo os detalhes de cada uma. Não vejo divergência, muito pelo contrário: vejo Convergência.

O que o homem plantar, ele colherá;
Nada novo debaixo do sol;
Nada se cria, tudo se transforma;
Ação e Reação;
Eterno Retorno;
Karma;
E tantos outros...


O que em outro post, chamei de Universo e o ilustrei como um Dragão.
Da série: 
Paralelos: formas diferentes de se dizer a mesma coisa.