Catedrático humano que sou
Já não cabe-me o quadrado
Que outrora fora minha catedral
Curvei-me às elipses do mundo
De esfera reformei minha esclera
Ao ver nova vida circulando uma nova era
É que o formato já não comporta o ato
De ser quem realmente se é
Ao entregar-se puramente em fé
O paradoxo tóxico resolvo na mente
Reconcilio os irmãos opostos-aparentes
No centro da hipófise esta tese
E não adianta, por mais que reze
Se minhas mãos não manifesta esta prece
É no trabalho que o Divino aparece
A estrada é longa, por onde percorrem os impulsos elétricos
Do mundo das hipóteses e das ideias
Ao das obras praticadas às plateias!
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terça-feira, 6 de junho de 2017
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Mãe d'água
A água, o argumento
É o começo, o meio e o fim
Estou nela e ela em mim
Navego no astral
Nas santíssimas águas que
A virgem Mãe fez pra mim
O Sol, pensamento
É o alimento
que fecunda a existência
No Ventre sagrado
Amor imaculado
É a Vossa ciência
Graças dou
Oh! Mãe de amor
Por Vossa criação
Lua branca, Véu de prata
Sois bendita, Sois a Graça
A Luz de mais formosa imensidão
Estás dentro e estás fora
Tudo ama
E tudo aflora
Dá o teu pão
Na exata medida
De minha mão
Teu colo sereno
Abranda o veneno
Que pus-me em mim
Dissolve-me as mágoas
E perdoa minhas falhas
Compreendendo os porquês
Salve, Oh Rainha!
Sois a sorte minha
Em tudo que Deus me fez!
Caminhas comigo
Me dando o conforto
De vossa compaixão
Se acaso eu Vos nego
Perdoai-me a fraqueza
De teimoso dragão
Eu agora sou sim
Um filho teu
Mamãe, Mamãe
Dou Graças a Deus
É o começo, o meio e o fim
Estou nela e ela em mim
Navego no astral
Nas santíssimas águas que
A virgem Mãe fez pra mim
O Sol, pensamento
É o alimento
que fecunda a existência
No Ventre sagrado
Amor imaculado
É a Vossa ciência
Graças dou
Oh! Mãe de amor
Por Vossa criação
Lua branca, Véu de prata
Sois bendita, Sois a Graça
A Luz de mais formosa imensidão
Estás dentro e estás fora
Tudo ama
E tudo aflora
Dá o teu pão
Na exata medida
De minha mão
Teu colo sereno
Abranda o veneno
Que pus-me em mim
Dissolve-me as mágoas
E perdoa minhas falhas
Compreendendo os porquês
Salve, Oh Rainha!
Sois a sorte minha
Em tudo que Deus me fez!
Caminhas comigo
Me dando o conforto
De vossa compaixão
Se acaso eu Vos nego
Perdoai-me a fraqueza
De teimoso dragão
Eu agora sou sim
Um filho teu
Mamãe, Mamãe
Dou Graças a Deus
sexta-feira, 10 de julho de 2015
A cachoeira que brota do mar
Algo acontece
No buraco precoce
Pagamento da sorte
Onde a vida, que aposta
Paga o preço da morte
No chão que se abre
Brota-se a lágrima
Respingo do rio
Que fez-se lá embaixo
A cicatriz da superfície que faz lembrar
Onde esse rio vai desaguar
Num vento frio de mar
De onde vim, e hei de voltar
Arranca dos olhos o manifesto
Do mar que conclama os seus
Se te aventuras nos mares da vida
Saibas que todo peixe,
Que marinheiro gosta-se ver
Há de a casa retornar!
Quer cardume, quer mãe terra,
Todos os filhos desse lar.
No buraco precoce
Pagamento da sorte
Onde a vida, que aposta
Paga o preço da morte
No chão que se abre
Brota-se a lágrima
Respingo do rio
Que fez-se lá embaixo
A cicatriz da superfície que faz lembrar
Onde esse rio vai desaguar
Num vento frio de mar
De onde vim, e hei de voltar
Arranca dos olhos o manifesto
Do mar que conclama os seus
Se te aventuras nos mares da vida
Saibas que todo peixe,
Que marinheiro gosta-se ver
Há de a casa retornar!
Quer cardume, quer mãe terra,
Todos os filhos desse lar.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Solitude
E do alto da montanha
Bem no meio da mata
Em solitude ingrata
O velho sábio proferiu:
A ironia também mata!
Apelo Universal
Cria-se e destrói-se no amor; paralisa-se no temor. No magnetismo vigente da natureza Bem e mal se confundem, e o homem, em sua ingrata torpeza se esquece que à Deus nada deve. Sou apenas mais um ponto que o Universo escolheu pra perceber a Si próprio. Um grão de areia, munido de um espelho pro mundo, sou manifestação temporária do Espírito Uno.
Tudo é um enorme gradiente de energias sutis. Tudo e Nada. Paradoxo inexorável do pensamento projetado pra fora do labirinto neural.
Todo sim pressupõe um não, e na luta: "cérebro x coração" não há vencedor. O empate é garantido pela eterna lei do semeador.
Que dirá o homem de si mesmo? Se é do ego que provém o discurso!
Não haveria eu de desconfiar de mim? Pois, se é assim, quem há de julgar o que penso, o que falo, o que faço ou o que calo?
Condenação é melhor deixar pra lá, é mais saudável abster-se de querer governar coisa alguma. Destino e acaso são dois irmãos que nasceram colados. Nós, brincando de deuses, separamos, à brusca maneira dos insensíveis, aquilo que sempre foi um. Há de se juntar! Há de se criar um novo mundo! Há um novo mal a se perdoar a cada segundo!
Que o medo não nos faça desistir. Que o amor nos faça resistir.
Que a bela e terrível ironia da vida continue a nos fazer rir!
Até o fim.
E um novo começo.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Divagação sobre a sabedoria
Dentre todas as possibilidades no grande jogo de azar que é a vida, não se julgais sábio o suficiente para escolher o melhor caminho. Entretanto, saibais que possais escolher, quer para o bem, quer para o mal, a alternativa que mais lhe convir. De todas elas sofrerás o porvir - é a eterna lei da semeadura. És tolo ou sábio? Quem há de se atrever a responder, visto que os aparentes males que às vezes todos sofrem, parecem de certo, consequências de qualquer condenação?
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Deslizar na realidade
Entre o céu e a terra, há um horizonte. Entre a imensidão da atmosfera e a profundidade dos mares há uma superfície em tensão que provoca ondas e oscilações. De igual forma, entre o nascimento e a morte, há a vida. Se assim for, podemos enxergá-la, dentre tantos pontos de vista, em termos de eficiência. Vivamos parcimoniosamente, com eficiência, escolhendo as melhores embarcações disponíveis para navegarmos nos mares da realidade. Afinal de contas, o fluxo das marés coexistem numa esfera, e levam, ao mesmo tempo, à todos e à lugar nenhum.
terça-feira, 18 de março de 2014
AutoBiografia
O menino olha pro céu.
Busca encontrar nas nuvens o fantástico.
Lhe disseram que papai noel não existe.
Lá em cima vê um coelho que lhe acena simpatia.
O jovem olha o incenso queimando.
Busca encontrar na fumaça o fantástico.
Lhe disseram que o carvão só serve pra queimar.
Em suas narinas, o cheiro ambiente dança melodias.
O cientista olha pra experiência.
Busca encontrar na natureza o fantástico.
Lhe disseram que ciência só postula fatos.
Do lado de fora da janela um quero-quero grita seu nome.
O velho olha o cachimbo.
Já não busca mais o fantástico.
De tanto que lhe disseram, ficou surdo.
Seus olhos cansados, marejam uma bela história.
Agora fecha os olhos.
Encontrou o fantástico.
Em seu enterro disseram palavras bonitas.
Mas nunca souberam de sua vida.
Agora sabe
Que o ar que molda as nuvens
É o mesmo que dança com a fumaça
E fez soprar sua alma.
Busca encontrar nas nuvens o fantástico.
Lhe disseram que papai noel não existe.
Lá em cima vê um coelho que lhe acena simpatia.
O jovem olha o incenso queimando.
Busca encontrar na fumaça o fantástico.
Lhe disseram que o carvão só serve pra queimar.
Em suas narinas, o cheiro ambiente dança melodias.
O cientista olha pra experiência.
Busca encontrar na natureza o fantástico.
Lhe disseram que ciência só postula fatos.
Do lado de fora da janela um quero-quero grita seu nome.
O velho olha o cachimbo.
Já não busca mais o fantástico.
De tanto que lhe disseram, ficou surdo.
Seus olhos cansados, marejam uma bela história.
Agora fecha os olhos.
Encontrou o fantástico.
Em seu enterro disseram palavras bonitas.
Mas nunca souberam de sua vida.
Agora sabe
Que o ar que molda as nuvens
É o mesmo que dança com a fumaça
E fez soprar sua alma.
domingo, 14 de julho de 2013
Sobre confiança
É um problema clássico da atual sociedade. Desaprendemos a confiar. Pior, desaprendemos a ser de confiança. Mas por que?
É também característica contemporânea, os relacionamentos serem breves, as amizades rápidas, os amores esquecidos e etc.
Toda essa "nova" face dos relacionamentos humanos não é, senão, um produto do modo que nossos antepassados viveram. Tudo contribuiu para esse nosso mundo atual. As competições que antes eram por terras, mulheres, escravos e "honra" deram lugar a competições por reconhecimento, poder de influência nos que são próximos - e quando possível, nos que são distantes - por uma posição mais elevada na sociedade de consumo, por um padrão de vida melhor...
Isso nos moldou. Nos forjou a alma. O resultado: vê-se todos os dias, em todos os lugares. E digo: não valeu a pena.
Um dos sintomas da nossa doença do progresso é justamente esse: A escassez da confiança. Mas por que não confiamos mais uns nos outros?
Não tenho uma resposta perfeita. Nem sei se minhas conjecturas representam alguma verdade. Mas tento responder a essa pergunta da seguinte forma: Não confiamos, porque não somos de confiança. A teatralização individual da vida pode ser vista como uma coisa boa, afinal, somos "atores no palco da vida" - frase cuja interpretação geralmente é infeliz. Essa vontade de representar um personagem ao invés de nós mesmos, levou a sociedade a aprender uma técnica que antes só era ensinada aos atores, políticos e manipuladores: a da utilização de máscaras. E o homem aprendeu rápido. Logo viu-se confeccionador de máscaras e paredes que mantivessem os outros longe e a integridade individual intocável.
O problema, é que ao mesmo tempo que se foge dos outros, se afasta de si mesmo. E o homem, vendo-se perdido em meio a tantas máscaras acaba confundindo seu verdadeiro rosto. É a verdadeira tragédia grega.
Como confiar em quem não conhece o seu reflexo? Como acreditar em quem mente pra si mesmo? Impossível. E o pior: todos somos confeccionadores de máscaras. Todos mentimos pra nós mesmos todos os dias. E nos perguntamos: "Em quem posso confiar?". Repito: não se pode confiar em ninguém sem se reconhecer no espelho.
Me parece que a solução para esse problema está em cada um. É um processo doloroso. Reaprender a se reconhecer traz conflitos. As máscaras têm vida própria. Mas somente assim, pode-se confiar em alguém, exatamente porque ganha a confiança de alguém.
Quão difícil é encontrar quem é de confiança!
Só é possível acreditar em quem é sincero!
terça-feira, 25 de junho de 2013
Recesso
Todo escritor- ou aspirante - precisa de um tempo pra poder voltar a viver. Afinal, a letra mata.
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Duetos para a vida
Sê de tudo o que faz
A qual sede tudo traz
Com a paz em todo o canto
Coma o pranto que em ti desfaz!
E se Amar não for o bastante,
Jogue ao mar o que antes não bastar!
Desapegue!
Venha e pegue a ti mesmo
O Universo já escreveu,
Em um só verso o que é teu!
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Navegadores e suas histórias
O quinto capítulo de Navigazioni fantastici de Giovanni Pondicherry conta a história de Pacanarus, um navegador tímido do século XVII. Pacanarus, com apenas um navio e alguns marinheiros inexperientes, descobriu uma ilha habitada por animais nunca antes vistos e um vulcão adormecido, no meio do pacífico. Alguns dizem que este fato inspirou Verne em seu livro "A Ilha Misteriosa", e que a ilha encontrada por Pacanarus, seria a Ilha Lincoln.
Desacreditado por todos os seus conterrâneos, o pequeno navegador não se deixou desanimar, e sempre falava: "Todo navegador, por mais que não tenha percorrido todo o oceano, sempre tem boas histórias pra contar." (Pág. 117, capítulo V) verbi gratia.
Não se sabe como, mas suas anotações de bordo posteriormente serviram para melhorar drasticamente o modo com que se realizava as grandes expedições do séc. XVIII.
Pacanarus é um episódeo desconhecido da História, mas não por isso, menos importante. A ironia da vida costuma rebaixar os grandes para que não se exaltem, e a seu devido tempo, sejam lhes conferidos a glória.
"Quem quiser ser realmente grande, precisa aprender a descer até a grandeza" disse Paulo Brabo em um de seus manuscritos. Essa é a máxima, a lei dos humildes.
Pacanarus morreu, não se sabe onde, não se sabe quando, mas sua pequena obra continua reverberando nos dias de hoje.
E não é isso que fazemos? Não precisamos de bons fatos para redigirmos bons contos!
terça-feira, 16 de abril de 2013
A Horta
Conta-se a história de um fazendeiro que resolveu cultivar um tipo estranho de hortaliças. Desenvolveu técnicas de manuseio e ganhou fama na pequena cidade em que morava. Diz, alguns, que suas hortaliças se perderam com o tempo, outros, que se misturaram por aí, entre todas as outras. Mas de todas as especulações, sabe-se, com certeza, apenas essa: ele cultivava estereótipos.
Várias eram as espécies dessa estranha hortaliça e, o fazendeiro as separava para não se misturarem. De um lado, tínhamos estereótipos políticos, de outro, amorosos. Lá mais adiante, encontrávamos os de amizade e os de tribos. Dizem que sua fazenda era tão grande quanto o número de espécies de estereótipos existentes no mundo.
Eram irrigados a suco de espada, conduzidos por veias e artérias que cortavam o chão, formando um imenso emaranhado vermelho.
Vendia a quem interessasse. "Mas saiba", sempre dizia, "uma vez ingerido o estereótipo, nunca mais o deixará". O que ninguém sabia, é que com o tempo, o estereótipo viciava, e deixava o consumidor engessado à ideia que a hortaliça transmitia.
Com o tempo, foi ganhando fama e dinheiro, sempre vendendo seus estereótipos. O fazendeiro ficou tão viciado em seu próprio produto que, conta-se, um dia enquanto cuidava de sua horta, seu coração pulou da boca e se plantou junto à eles. O fazendeiro morreu, ali mesmo, e nunca mais se ouviu falar de sua fazenda.
Vendia a quem interessasse. "Mas saiba", sempre dizia, "uma vez ingerido o estereótipo, nunca mais o deixará". O que ninguém sabia, é que com o tempo, o estereótipo viciava, e deixava o consumidor engessado à ideia que a hortaliça transmitia.
Com o tempo, foi ganhando fama e dinheiro, sempre vendendo seus estereótipos. O fazendeiro ficou tão viciado em seu próprio produto que, conta-se, um dia enquanto cuidava de sua horta, seu coração pulou da boca e se plantou junto à eles. O fazendeiro morreu, ali mesmo, e nunca mais se ouviu falar de sua fazenda.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
O fone e o velho
A música no fone de ouvido era alta. Eu estava em sintonia com um mundo paralelo ao real: o da minha playlist. Esperava o ônibus para o trabalho numa tarde fria na serra. O ônibus apontou na esquina da rua e eu percebi que estava cheio. Subi, paguei a passagem e percebi um lugar vago, apesar de terem passageiros em pé. Era ao lado de um velho.
Ele usava boina e bengala, bem típicos de um senhor de sua idade - devia ter uns 80 anos - e suas mãos, calejadas e disformes, seguravam uma pasta. O velho mexia a boca, mas como não podia ouvi-lo, julguei estar falando sozinho. Assim permaneci, apenas ouvindo a minha música, ao lado do velho.
Ao chegar no ponto final (eu não ia descer, o ônibus era circular), os passageiros formaram a fila de descida e, a minha música acabou. No meio tempo da troca de uma música para a outra, percebi o que o velho estava fazendo: ele cantava. Por uns breves momentos, percebi a sua voz, e tirei o fone do ouvido.
Parecia ter sido tirada de um velho LP de Cartola. A voz era carregada de experiência, sabedoria e transmitia a paz de uma vida inteira. Era muito afinada. Era linda. Era eterna. O velho desceu do ônibus, cantando. E eu, tentando guardar na memória o pouco que ouvi de sua voz.
E se era a voz de Deus? Nunca saberei, pois tirei o fone de ouvido tarde demais.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
A Verdade.
"Todos nós temos um anjo. Um guardião que zela por nós. Nunca sabemos a forma que vão tomar. Num dia, um velho, no outro, uma garotinha. Mas não se deixe enganar pela aparências: podem ser ferozes como qualquer dragão. Mas não estão aqui para travar nossas batalhas, mas para falar suavemente aos nossos corações, nos lembrando de que somos nós.
Cada um de nós mantém o controle do mundo que criamos. Podemos negar que nossos anjos existem, convencer-nos de que não podem ser reais. Seja como for, eles aparecem. Em lugares estranhos e de formas estranhas. Podem nos falar através de qualquer personagem. Gritam através de demônios se for preciso. Nos confrontam, e nos desafiam a lutar."
Sucker Punch
No dia que comemoramos a trapaça, as brincadeiras e tudo aquilo que simula a verdade, eu realmente gostaria de ver que tudo não passou de uma grande mentira. Mas não. Fui convocado, junto com todos vocês, a lutar. Pela liberdade. Pela vida. Pelo amor. E pela verdade.
Podemos não ser donos do nosso destino. Mas ele certamente depende de nós para se fazer existir.
Lute, pois o tempo é chamado Hoje.
E o amanhã será de Paz.
1° de abril de 2013.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Pormenores
São 23:05. Caminho em direção ao ponto de ônibus, quando me dá uma vontade de tomar um refrigerante. Verifico as moedas existentes no bolso, está a conta: 2,50 a latinha. Passo direto do ponto para o barzinho mais próximo - sabia que o ônibus ia demorar mais uns 20 minutos. O barzinho é pequeno, seus poucos fregueses, uns bêbados assistindo futebol, mas apesar de tudo, um buteco com o refrigerante que eu queria. Pergunto pro tio do bar, se tem refrigerante. Ele me responde que sim. Pergunto o preço para me assegurar de que vou poder pagar, e peço uma latinha de refri. O tio vai buscar a lata e, ao voltar, faz algo que eu não esperaria nunca de um lugar daqueles.
O tio lavou a lata. Com esponja e detergente. Ao pegar a lata e agradecer, ele ainda me perguntou:
- Aceita canudo?
Mais uma das evidências de que o exemplo vem de baixo, dos pormenores do caminho.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Tem dias...
Sabe aquela sensação de tristeza sem motivo que surge do nada? Tem dias que ela aparece maior, mais forte e, logo depois, vai embora, se esconde. Mas há outros, em que ela parece ter sumido, aí basta uma centelha que ela volta! Alguns podem até negar sua existência, mas eu tenho quase certeza de que todos a conhecem,só não sabem explicá-la.
Fato é, que ela nos força a ser humanos. Ela nos tira do pedestal da arrogância de achar que somos donos de alguma coisa, que comandamos nossa vida como bem quisermos. É graças a ela, que ainda não ultrapassamos a linha divisória, que ainda não nos tornamos super-humanos. Mas também é graças a ela, que somos passível de salvação. Ela nos coloca de frente para o espelho da alma. E nos vemos, nus e crus, como viemos ao mundo.
Mas tem dias que não queremos saber dela e, com o passar do tempo, até aprendemos a controlá-la. Sabe o que acontece? Deixamos de ser humanos. Matamos a sensibilidade à dor do próximo, porque não mais sentimos a nossa. Isso é perigoso. Dizem que quem consegue fazer isso, vende a alma ao diabo, mesmo que não saiba.
Tem dias que eu a sinto, aqui dentro, e dói. Não sei discernir a causa de seu aparecimento, mas a sinto. Acho que se fosse buscar em toda profundidade da minha alma, descobriria que ela nasceu junto comigo, agarrada ao meu tornozelo, como um Jacó invejoso da minha alegria. Ela não deve ser morta, mas também não deve ser a dona de mim. Só rezo pra que me seja dada a graça de acordar feliz amanhã.
Tem dias que a gente acorda tão bem...
Mas hoje não é esse dia.
quarta-feira, 6 de março de 2013
O poder da dissimulação/simulação - uma história de figueiras
Dissimular é uma arte. Acho que até mais difícil de se dominar do que a Simulação. Nesta, você deve aprender a fingir uma coisa que não é, na outra, deve aprender a esconder aquilo que é. Ambas podem ser usadas positiva ou negativamente, tudo depende da intenção de quem as pratica. Posso citar vários exemplos para isso, mas vou apenas me concentrar na dissimulação.
Todos pensam mal dela, afinal, é uma arte bem conhecida das víboras e raposas. Concordo. Uma pessoa dissimulada é aquela que consegue fingir sua real intenção e enganar os que estão a sua volta. Essa é a faceta má da dissimulação, e é utilizada com maestria por políticos, líderes religiosos, mídia, etc.
Na verdade, o conceito de dissimulação está um pouco distorcido e é facilmente confundido com a simulação. Até no dicionário da língua portuguesa encontramos essa falácia.
"O que é uma pessoa dissimulada?" - Alguém perguntou.
"É uma pessoa que se finge de inocente para se dar bem" - Responderam.
Ora, esse exemplo é o de uma pessoa simulada, e não dissimulada! Ela finge ser algo que não é, isso é uma simulação! A dissimulação esconde aquilo que é, sem mostrar algo a mais!
Ok, concordo que ficou confuso. Vamos aos exemplos!
Líderes Religiosos! Como gosto de falar deles! rs
São "raça de víboras", "hipócritas", "filhos da perdição" - Palavras do próprio Cristo, que eles dizem seguir!
Todos pensam que eles são dissimulados. Concordo, mas não apenas isso! Se fosse só a dissimulação, até que tava bom, mas os caras dominam a arte da simulação. Fingem algo que não são, prometem o que não comprem, etc. Ou seja, te vendem o peixe estragado deles te convencendo de que está bom.
Como gosto de usar exemplos do próprio Cristo, vou continuar com esse: O da figueira seca.
Essa passagem, muito conhecida, retrata uma situação que a princípio, parece ser contraditória com a pessoa de Jesus. Ao encontrar uma figueira, cheia de folhas, Jesus percebe que ela não tem frutos e a amaldiçoa. Ora, Cristo amaldiçoando só porque a figueira não dá frutos? Vamos aos detalhes:
- A época que isso aconteceu, não era época de frutos.
- A figueira é uma árvore que fica 'pelada' fora da época de frutificação.
- A figueira em questão, estava coberta de folhas, mas não tinha frutos.
O que a figueira em questão estava fazendo ao se cobrir de folhas, mas sem frutos? Estava SIMULANDO algo que não tinha. Por isso Cristo a amaldiçoou. As outras figueiras eram 'humildes' e estavam secas, reconhecendo sua época de não-frutificação.
Outro exemplo:
"Aquele que se humilhar será exaltado" - Disse Jesus. Esse é o que dissimula. Aquele que mesmo sendo alguma coisa, se rebaixa, se humilha, ao contrário da figueira amaldiçoada.
Foi só uma breve reflexão sobre essa arte muito explorada nos dias de hoje. Não simule. Não finja. Não diga que faz, se não faz. Antes, se rebaixe e, mesmo sabendo alguma coisa que prejudique alguém, cale a boca. Aprenda a arte da dissimulação.
Dissimule. Ninguém quer saber o que você não é.
Da série paralelos: formas diferentes de se dizer a mesma coisa.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Sinédoque
Existe pecado maior
Que reduzir as coisas?
Diminuí-las
E portanto, fazê-las pior?
Oh, figura amaldiçoada
Se ficasse apenas nas letras
Terias tua bênção garantida
Mas metida que só tu,
Quis o mundo inteiro!
Contaminou o conhecimento
Cauterizou a sabedoria
Engessou o verdadeiro progresso
Com teu cimento perverso!
Quem te usa mal sabe de teu poder
Abusa da sorte,
E da morte
Faz teu querer!
Qual pecado maior,
Se é que existe medida,
Se não o teu?
Que de um todo reduz a metades
E da metade chama de todo
E a todos transforma em tolos
Ao acreditar em meias-verdades!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Da arte de cagar
Mesmo viajando meus devaneios não me deixam em paz! Cidade linda essa tal de Fortaleza, pessoas excelentes esses cearenses! Ainda sim, sofia encontra espaço para falar - e como fala! - antes de dormir na noite anterior, agraciou-me com mais pensamentos. Ei-los.
Disse outro Lucas sobre o assunto a algum tempo atrás, e me recordei dele ao pensar quase o mesmo. Essa é uma arte realmente curiosa. Quase sempre em rodas de amigos, o assunto entra em cocô. Piadas sobre o mesmo. Maneiras diferentes de se cagar. Técnicas eficazes para se soltar em "locais públicos". São infinitos os assuntos que rodeiam o pequeno marrom. Mas quero realmente ir a fundo nisso hoje - na verdade fui ontem, mas só na cabeça.
Fato é, que encaramos a coisa de várias formas ao longo da vida, e cada um, de seu próprio jeito. O paralelo que pretendo traçar, é justamente esse, o de encarar as merdas que fazemos na vida, assim como encaramos a merda que fazemos no vazo.
Crianças têm um jeito peculiar de encarar seus dejetos. No começo, usam fraldas: fazem a qualquer hora e em qualquer lugar - depende dos pais cuidarem para que a coisa seja descartada corretamente. A medida que crescem e amadurecem, aprender a fazer sozinhas no vazo, mas ainda sim, chamam a mãe para limpar e ainda se despedem da obra-de-arte recém criada. Mais tarde, já se limpam sozinhas e, dependendo dos hábitos da família, aprendem a dar descarga corretamente (com a tampa abaixada) ou não.
Crianças têm um jeito peculiar de encarar seus dejetos. No começo, usam fraldas: fazem a qualquer hora e em qualquer lugar - depende dos pais cuidarem para que a coisa seja descartada corretamente. A medida que crescem e amadurecem, aprender a fazer sozinhas no vazo, mas ainda sim, chamam a mãe para limpar e ainda se despedem da obra-de-arte recém criada. Mais tarde, já se limpam sozinhas e, dependendo dos hábitos da família, aprendem a dar descarga corretamente (com a tampa abaixada) ou não.
Ao estabelecer seu método preferido de se limpar e fazer (lendo, jogando, na internet...), o individuo está apto a fazer do cagar, uma arte ou um desgosto. Pois bem, o que isso tem a ver com a vida, meu Deus?
Fazemos merda. E isso é um fato que ninguém pode negar, pois ninguém é perfeito. Erramos, sim. Nos arrependemos, às vezes... Mas de certa forma, aprendemos a lidar com o fato (ou não). Tracemos os paralelos:
Tem gente que vive fazendo - Como o recém-nascido, que usa fraldas;
Tem gente que vive fazendo - Como o recém-nascido, que usa fraldas;
Tem gente que faz merda e depende dos outros para limpá-la - Como a criança que depende da mãe;
Tem gente que finge que não faz, mas faz, e fede - Como pensamos as vezes de modelos, pessoas perfeitas que não cagam;
Tem gente que bota a culpa nos outros - E ainda diz que não ta sentindo cheiro nenhum!
Tem gente que insiste em criar um sentimento com a besteira que fez - Como a criança que dá tchauzinho;
Tem gente que não aprendeu a minimizar o efeito, e acaba piorando a situação - Como quem não abaixa a tampa e espalha partículas pelo banheiro;
Tem gente que só faz escondido - Como quem só consegue fazer em casa;
Tem gente que sempre arranja uma desculpa lógica pra merda que fez - Como quem faz lendo;
Enfim, existem muitos paralelos sobre o assunto que, como já disse, é sempre infinito.
E aí é que está. Será que devemos encarar as besteiras que fazemos na vida como um simples cocô que vai pelo ralo? Esse mesmo dejeto fará parte de um enorme esgoto que carregamos pro resto da vida se não aprendermos a lidar com o fato higienicamente. Não adianta querer depender sempre de outra pessoa para limpar aquilo que você fez ou então, querer esconder: o cheiro condena.
Que aprendamos conosco os pormenores da vida. Como um simples ato fisiológico pode nos ensinar a lidar com os problemas que causamos!
Termino aqui esse devaneio deveras fedorento. Que possamos dar a descarga, abaixar a tampa, e a cuidar do esgoto que causamos.
Que aprendamos conosco os pormenores da vida. Como um simples ato fisiológico pode nos ensinar a lidar com os problemas que causamos!
Termino aqui esse devaneio deveras fedorento. Que possamos dar a descarga, abaixar a tampa, e a cuidar do esgoto que causamos.
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